arteterapia com pintura

Arteterapia: conheça sua história e como praticá-la

A terapia através da arte – ou arteterapia – é um processo multidisciplinar que normalmente envolve técnicas artísticas, como a pintura, a modelagem, a dramatização, etc, com a psicoterapia.

Seu foco é direcionado no processo e não no resultado artístico final, portanto, é uma abordagem que pode ser praticada por crianças, adolescentes, adultos e idosos indiscriminadamente.

Para pessoas com deficiência, a arteterapia pode representar um caminho para a reabilitação – para além do autoconhecimento e tratamento da saúde mental, um estímulo à atividade motora que não requer conhecimento técnico prévio algum em processos artísticos.

Aqui no blog, já apresentamos outras terapias que podem fomentar impactos na vida da pessoa com deficiência, como a ocupacional, a equoterapia e a pet terapia.

Por isso, nesse post, aproveitamos a semana do dia mundial da arte (15/03) e recontamos um pouco de: história da arte enquanto possibilidade terapêutica, como é o trabalho dos profissionais da arteterapia e seu impacto na vida dos praticantes.

Vamos lá?

História da arteterapia

O uso da arte como ferramenta terapêutica é relativamente recente na história. 

A princípio, pensado de forma incipiente, pelos médicos Max Simon, Morselli, entre outros que teorizaram acerca da expressão artística no século XIX. Foi só após um estudo comparativo das produções artísticas entre pacientes, realizado por Fritz Mohr, no início do século XX (1906), que a arte passou a ser enxergada como um caminho para interpretar o sofrimento psíquico.

Desde então, muita coisa mudou, a arteterapia foi abordada intensamente pela psicologia, além da psiquiatria. Grandes nomes da psicanálise, como Freud e Jung, teorizaram bastante sobre o tema, sendo o último, pioneiro no seu uso clínico em consultório na década de 20.

No Brasil, Osório César e Nise da Silveira deram os primeiros passos voltados à arteterapia dentro da psiquiatria. No entanto, é por volta dos anos 1940, que a pesquisadora, Margareth Naumberg, em Nova Iorque, consolida a prática na clínica psicológica. Posteriormente, no final da década de 60, cursos de extensão em arteterapia começam a ser disponibilizados.

A partir da década de 70, com a abordagem lacaniana de Françoise Douto, o enfoque se volta mais para o processo como acontece nos dias de hoje.

A arteterapia:

Utilizando as diversas linguagens da arte como fundamento de base para o processo terapêutico, a arteterapia promove o autoconhecimento, o ganho de consciência, desenvolvimento motor e da comunicação através da expressão simbólica e da espontaneidade.

No Sistema Único de Saúde, a arteterapia está inclusa na Política de Práticas Integrativas e Complementares. Sua disponibilidade é instituída pela portaria nº 849/2017, e pode ser buscada em Unidades Básicas de Saúde.

Dessa forma, os tipos de arteterapia se dividem nas seguintes expressões da arte:

Linguagens artísticas:

São as formas de expressão artística através da manipulação de alguma forma material. Portanto, são exemplos comuns: a pintura, o desenho, a modelagem, a colagem, mas também abriga formas como o artesanato, bordados, crochê, etc.

Linguagens Cênicas:

Nas artes cênicas, a performance vira palavra-chave. Por isso, atividades como a dramatização, a contação de histórias e o teatro de mamulengos são bons exemplos utilizados pela arteterapia.

Literatura:

Através da literatura as pessoas desenvolvem experiências transformadoras. Do mesmo modo, a partir dela, é possível que entrem em contato com diferentes experiências, questionamentos e perspectivas com relação a emoções e a realidade. Através da leitura e da escrita criativa, a arteterapia estimula a comunicação com visões diferentes, a crítica, a interpretação e a subjetividade

Música:

A música pode oferecer diferentes estímulos. Sendo assim, também não há uma idade específica para usufruí-la enquanto arte.

Seja através de uma interpretação sensorial – uma criança com um brinquedo, como um chocalho, ou um adulto e um idoso – todos podem desenvolver várias técnicas corporais com o aprendizado de variados tipos de instrumentos musicais: de sopro, cordas, percussão, eletrônicos, etc.

Expressão Corporal: 

Na arte, a expressão corporal acontece de diversas formas. Certamente, uma das mais conhecidas delas é a dança. Na arteterapia, a dança é uma grande aliada para canalizar a expressão de sentimentos, bem como uma outra possibilidade de sentir e conhecer o próprio corpo.

Para idosos, pessoas com mobilidade reduzida e pessoas com deficiência, a dança também tem uma particularidade: a oportunidade de socialização quando praticada de forma coletiva.

Um exemplo citado em nosso blog, é o do  Projeto Carioca Sobre Rodas. Nele, aulas de dança para cadeirantes jovens e adultos são oferecidas gratuitamente.

Audiovisual:

Por fim, também é possível fomentar o uso da arteterapia através do audiovisual. O cinema, quando inclusivo, é um grande promovedor de experiências catárticas. 

Como promoção do subjetivo, o cinema pode amplificar símbolos mais inconscientes. Dessa forma, através de sua linguagem própria, pode torná-los menos distantes, por exemplo, com o uso da luz, efeitos, colagens, trilhas, etc.

O que faz o arteterapeuta?

O arteterapeuta trabalha como um preceptor que auxilia seus clientes a se expressarem física e emocionalmente através da arte. Seu objetivo é possibilitar um processo de desenvolvimento e transformação de consciência sobre si, com promoção da saúde e da qualidade de vida.

Segundo a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), do Ministério do Trabalho, o arteterapeuta está vinculado como profissional de terapias criativas. O curso de arteterapia é normalmente feito como especialização para  terapeutas ocupacionais, educadores, psicólogos e pedagogos, por isso têm seu caráter multidisciplinar

É importante lembrar que o arteterapeuta vai levar em consideração as especificidades da pessoa com deficiência na aplicação das suas técnicas. Portanto, com a devida atenção, a pessoa com uma deficiência física pode atender à dança, como no Projeto Carioca. A pessoa com deficiência visual pode atender ao cinema inclusivo e assim por diante.

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