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Influenciadores Digitais com deficiência: Representatividade na internet

Você já deve conhecer influencers com deficiência que estão fazendo sucesso nas redes sociais. Mas você já parou para pensar em como eles podem contribuir na ampliação de debates sobre acessibilidade para pessoas com deficiência?

Por isso, conversamos com alguns influencers com deficiência para saber sobre a representatividade e relevância dos seus trabalhos na internet, e como eles contribuem com conteúdos sobre inclusão e direitos para essas pessoas.

Aproveite e conheça alguns nomes para seguir nas redes sociais também!

Relevância dos influencers com deficiência

Seja por meio de Blogs ou vídeos no Youtube, seja através da rede social Facebook ou Instagram, mostrando o dia a dia até a problematização de assuntos importantes da sociedade, pessoas começaram a fazer das mídias digitais uma forma de propagar conteúdo e transformar isso em trabalho.

Da mesma forma, mais do que uma representação, abrem-se oportunidades para debater sobre inclusão e acessibilidade para pessoas com deficiência. Ou seja, pessoas em seus lugares de fala, fazem das redes sociais uma oportunidade para chamar a atenção de outras pessoas para diferentes assuntos sobre a realidade em que vivem. E, assim, influenciam seus seguidores a continuar buscando cada vez mais informações que tenham relação com diversos tipos de deficiências. 

Por fim, as redes sociais se transformaram em espaços cada vez mais inclusivos, acessíveis e representativos para esse tipo de público. Dessa forma, seguir influenciadores digitais que compartilham suas experiências é uma maneira de também manter-se atualizado sobre novidades, assim como para se inspirar a superar suas limitações e os desafios do cotidiano.

Influenciadores digitais com deficiência

Sabendo da relevância dos influencers com deficiência na abertura de debates sobre inclusão e acessibilidade, conversamos com alguns deles para entender mais sobre a influência na vida de outras pessoas com deficiência.

Laura Martins – @cadeiravoadora

Laura Martins é de Belo Horizonte (MG) e já trabalha com a internet há muito tempo, por meio do blog Cadeira Voadora. Ela foi diagnosticada com Mielite Transversa com cincos anos de idade e, por conta da dificuldade física, se locomoveu com o auxílio de órteses e muletas por muitos anos até optar pela cadeira de rodas.

Com o tempo, a paixão por escrever a fez concluir a graduação e pós-graduação na área em que lhe permitiu trabalhar com literatura, redação e revisão de textos. Também trabalhou como voluntária em diversas instituições, além de realizar palestras e workshops nas áreas de educação e inclusão da pessoa com deficiência. Por fim, o blog Cadeira Voadora surgiu em 2011 e se tornou parte da sua vida profissional.

O blog Cadeira Voadora

“Meu objetivo com o blog era compartilhar experiências de viagens porque naquela época não se encontrava pessoas com deficiência viajando. Imagina viajar para o exterior quando na internet ainda não tinha esse tipo de informação para essas pessoas?!”, conta.

Sendo assim, a ideia foi tomando forma e o blog crescendo, maneira de fazer com que o tema fosse debatido e uma sociedade mais inclusiva fosse alcançada. “Notei um interesse inesperado pelo blog. Foi crescendo e quando percebi, comecei a dar mais atenção para ele, profissionalizando o trabalho. O objetivo é fornecer às pessoas com deficiência informações como forma de incentivá-las a desenvolver habilidades”, explica.

Há cerca de um ano Laura se dedica totalmente ao blog e às redes sociais. Desta forma, ela começou a notar o poder da influência e se tornou parte da comunidade de influencers com deficiência. “Recebo mensagens de diversas pessoas pedindo informação sobre temas de acessibilidade e direitos. A capacidade de influenciar não está ligada a quantidade de curtidas e seguidores. Todos os dias faço um exame de “consciência” porque a responsabilidade daquilo que eu compartilho é muito grande”, ressalta Laura.

Finalmente, o blog e as redes sociais da Cadeira Voadora viraram uma maneira de enxergar a vida. “O meu maior capital não é a quantidade de seguidores, mas sim o nível de confiança que as pessoas depositaram no meu trabalho ao longo dos anos. Eu busco contribuir com as pessoas na forma de auxiliá-las a descobrir se aquilo que indico serve para elas, pois nem tudo que é bom para um, pode funcionar para o outro”, finaliza.

Roberta Oliveira- @robertinhaoliveira

Roberta Oliveira tem 28 anos e mora em Guaxupé, no interior de Minas Gerais. Quando tinha cerca de três anos de idade, seus pais notaram sua dificuldade para andar e resolveram investigar. Foi assim que o diagnóstico de Atrofia Muscular Espinhal (AME) veio e, com 14 anos de idade, passou a utilizar a cadeira de rodas para se locomover com mais autonomia.

“Eu tive uma infância normal e fazia de tudo. Até os meus 12 anos eu tinha poucas limitações, mas a partir dessa idade a doença começou a progredir mais rápido e foi quando, com 14 anos, precisei de uma cadeira de rodas, que me trouxe mais liberdade e autonomia”.

A influencer Robertinha, como é chamada nas redes sociais, tem como sua maior companheira a Scooter Freedom Mirage SX e mostra para seus seguidores seu dia a dia e como esse produto de mobilidade auxilia na sua rotina.

E, falando em redes sociais, Roberta Oliveira começou a se aventurar na internet em 2013 por meio de um blog no qual falava sobre beleza e moda. “Com o tempo, fui falando mais sobre mim e sobre a minha história. Percebi que muita gente se identificava. Passei a conhecer várias pessoas com deficiência e fiz muitas amizades que levo para vida”, explica.

Entrada na internet

Em 2015 ela resolveu criar um canal no Youtube para falar de beleza, mas o foco foi mudando para outros temas. “Comecei a focar em vídeos sobre deficiência para que eu pudesse ajudar cada vez mais pessoas através das minhas experiências. Hoje não tenho mais o blog, mas continuo com meu canal e com uma conta no Instagram, em que mostro meu dia a dia”, ressalta.

Com mais de 120 mil seguidores no Instagram, Robertinha compartilha a rotina de uma pessoa com deficiência. Entretanto, segue focando no tema da beleza, por meio de vídeos de maquiagens com o intuito de incentivar outras mulheres com deficiência. “O retorno é incrível. O pessoal gosta principalmente dos conteúdos que eu falo mais do meu dia a dia, quando falo sobre os perrengues que os cadeirantes enfrentam”, conta.

Robertinha costuma compartilhar vídeos fazendo uma espécie de “tour” com seus equipamentos, para assim mostrar suas funcionalidades. “Os vídeos que faço de tour pela cadeira, tour pelo triciclo, mostrando guincho de transferência, são sempre sucesso e ajudam muitas pessoas”.

Em suma, Robertinha vê com entusiasmo a evolução e as possibilidades que a internet trouxe para temas relacionados às pessoas com deficiência e o quanto a representatividade importa para que espaços sejam ocupados cada vez mais por esse público. “Até um tempo atrás, ninguém encontrava pessoas com deficiência na internet e muito menos fazendo campanha de publicidade para as marcas. Graças a esse público, as marcas estão entendendo que essas pessoas também são consumidoras. Além disso, tem sido um aprendizado e tanto para todos, principalmente na questão de capacitismo. Aos poucos, as pessoas estão se desconstruindo, caminhando para uma sociedade mais inclusiva e menos capacitista”, finaliza.

Ricardo Shimosakai – @turismoadaptado 

Ricardo Shimosakai é de São Paulo e em 2001 foi vítima de um atentado de sequestro relâmpago. Na ocasião, acabou levando um tiro que resultou em uma lesão medular que lhe tirou os movimentos das pernas.

A partir disso, focou em sua reabilitação e se voltou para o esporte. Posteriormente, começou a sentir falta de uma prática que realizava muito antes do acidente: viajar. Dessa forma, Ricardo costumava explorar o mundo e sempre era questionado pelos amigos a respeito de dicas e indicações de viagens. Foi assim que o tema começou a fazer parte do seu trabalho.

“Pensando em resgatar as coisas boas da vida, me questionei sobre o que eu gostava de fazer. Então comecei a buscar isso para mim. A partir disso, pessoas começaram a questionar sobre como fazer para viajar. Alguns deles me provocaram o porquê eu não trabalhava com isso. Foi então que resolvi aceitar o desafio por mim e por outras pessoas”, conta.

Ricardo é bacharel em turismo; docente do MBA de Gestão em Hotelaria de Luxo; MBA de Gestão de Eventos e Cerimoniais de Luxo; e possui pós-graduação em Arquitetura Hoteleira. Nesse nicho, ele também escreve para diversos meios de comunicação e ministra palestras por todo o mundo contando sua história de superação pessoal e empreendedorismo. Ele também é um grande nomes entre os influencers com deficiência.

Turismo Adaptado

Da mesma forma, Ricardo passou a fazer das suas viagens uma experiência de explorar locais que possuíam condições de acessibilidade, assim como procurar por meios de romper as dificuldades quando o acesso era difícil. Sendo assim, nasceu a empresa Turismo Adaptado.

Seu foco é trabalhar para promover a acessibilidade e inclusão no lazer e no turismo, seja para pessoas com deficiência, seja para pessoas com mobilidade reduzida. Dessa forma, também fez da internet um lugar para expor o seu trabalho e compartilhar suas experiências e a questão das acessibilidades arquitetônicas, comunicacionais, metodológicas, instrumentais (tecnologia assistiva), programáticas (normas ou regulamentos) e atitudinais.

“A internet é uma ótima ferramenta para informação. Na internet as coisas são mais fáceis pela questão da informação e da reivindicação das pessoas referentes aos locais acessíveis. Essa troca é importante e ajuda a reforçar a temática. Estou na internet há muito tempo. Hoje em dia já vejo muitas pessoas trabalhando com isso também”, destacou.

Daniela Bublitz – @danibublitz

Daniela Bublitz tem 25 anos e é de Venâncio Aires (RS). Com um ano de idade foi diagnosticada com Atrofia Muscular Espinhal (AME) e teve sua expectativa de vida apontada para 12 anos. Mas, naquela idade, passou a utilizar a cadeira de rodas e a viver normalmente.

Somando cerca de mais de 10 mil seguidores no Instagram, Dani – como é mais conhecida na rede social – é cantora desde os sete anos. “A música ajuda na minha respiração, já que a doença afeta o diafragma. Sou uma das poucas pessoas com o diagnóstico que tem 100% do pulmão em pleno funcionamento”, conta.

Seu trabalho na internet começou em 2012 por meio de vídeos compartilhados no Youtube. Mas, nos últimos dois anos, se concentrou em compartilhar conteúdo no Instagram, divulgando seu trabalho como cantora e mensagens de esperança.

Redes sociais

“Eu encontrava poucas pessoas com deficiência fazendo divulgação como influencer digital, então comecei compartilhando meu dia a dia. Divulgo tudo, coisas boas e ruins. Comecei a trabalhar com temas de motivação para essas pessoas e com o tempo pude fazer divulgação para marcas”, explica Dani.

Dani sentiu a necessidade de compartilhar a vida como realmente é, sem filtro e sem edição. “Muitas influenciadoras compartilham somente o lado bom das coisas. Eu senti a necessidade de mostrar a vida como é de verdade. A resposta é muito positiva, tanto pelas pessoas com deficiência, assim como para pessoas que não tem nenhum problema de saúde”, ressalta.

Em síntese, Dani Bublitz já participou de concursos de beleza e foi campeã como representante do chimarrão no Rio Grande do Sul em 2015. Na música, sua maior paixão, teve a experiência de cantar com a dupla sertaneja Fernando e Sorocaba, em que foi presenteada pelos cantores com uma gravação em estúdio. Assim, teve a música “Atrás da porta” compartilhada na plataforma Spotify.

Outros influencers com deficiência para seguir

Lorrane Silva – @_pequenalo

Com mais de 2 milhões de seguidores, Lorrane Silva fez das redes sociais um meio para publicar vídeos de humor e fazer disso em torno da sua condição a seu favor. Mais conhecida como Pequena Lô, a jovem possui membros curtos devido uma síndrome ainda não identificada e utiliza muletas para se locomover.

Em síntese, Lorrane já produz vídeos de humor desde 2015, mas, recentemente, se popularizou e é reconhecida por milhares de pessoas na internet devido aos vídeos engraçados que representam situações do dia a dia, que ela publica no Instagram e Tik Tok.

Fernando Fernandes – @fernandoflife

Fernando Fernandes é atleta, modelo, apresentador de programa de esportes radicais e autor da autobiografia “Inquebrável”. Ele perdeu os movimentos das pernas após um acidente em 2009 e passou a fazer do esporte uma alternativa para sua saúde física e mental.

Nas redes sociais, com mais de 460 mil seguidores, Fernando mostra que “deficiência” não tem nenhuma ligação com “incapacidade” e compartilha suas experiências com o esporte adaptado.

Em suma, se consagrou como tetracampeão Mundial (2009, 2010, 2011 e 2012), Tricampeão Panamericano, Tetracampeão Sul-americano e Tetracampeão Brasileiro de Paracanoagem. Na TV, apresentou o quadro “Sobre Rodas” no Esporte Espetacular da Rede Globo e “Além dos Limites” no Canal OFF.

Paola Antonini – @paola_antonini

Paola Antonini é modelo e perdeu a perna em um acidente de trânsito em 2014. Nesse contexto, começou a fazer das redes sociais um diário sobre o processo da sua recuperação.

Com o tempo, acabou fazendo das mídias digitais um retrato do seu alto-astral e da maneira leve e divertida que lida com os desafios da sua realidade. Da mesma forma, compartilha seu dia a dia, momentos na academia, dançando e convivendo socialmente.

Através dos mais de 2 milhões de seguidores, ela compartilha conteúdos sobre diversos temas relacionados às pessoas com deficiência e/ou que tiveram algum membro do corpo amputado.

Acima de tudo, mais do que compartilhar o dia a dia, os influencers com deficiência se tornaram um meio para que debates sobre inclusão e acessibilidade cheguem a um maior número de pessoas. Portanto, é através dessa representatividade que essas pessoas podem ser mais ouvidas, soluções são desenvolvidas e direitos cobrados e alcançados.

E você, conhece outros influencers com deficiência que não estão na nossa lista? Nos conte através dos comentários! Aproveite para compartilhar nas redes sociais para que outras pessoas também saibam sobre o assunto. 

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2 Comentários

    Tenho uma cadeira de rodas motorizada e sinto que esta com a direção desregulada. Uma das rodas trazeiras, a do lado diteito está aberta como se extivesse normal e a do lado direito está reto/vertical e não consegui resolver este impasse. Por favor, resolva este empasse. Obrigado.

      Olá, Ely!
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