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Mulheres cadeirantes: A autoestima e a sexualidade

A sexualidade e a autoestima são naturais do ser humano e estão diretamente ligadas uma à outra. A forma como nós nos enxergamos e como nos sentimos sobre nós mesmos muda a forma como nós nos relacionamos com o outro. Não é diferente com pessoas com deficiência.

Se conhecer, se gostar e se aceitar é um dos pontos mais importantes do desenvolvimento do indivíduo e é através da imagem que temos de nós mesmos, que somos capazes de vermos e de nos relacionarmos com o outro. 

É por isso que é tão importante falar de sexualidade relacionada à autoestima. Para manter uma relação saudável com a própria sexualidade, é preciso estar com a autoestima em dia.    

Porém, mesmo sendo algo tão natural, questões relacionadas ao sexo e a sexualidade, principalmente quando estão relacionadas à pessoa com deficiência, são consideradas um tabu e por isso, pouco se fala sobre o tema.

Pensando em ajudar a vencer a desinformação gerada pela falta de diálogo e orientar outras pessoas com deficiência que passam pelos mesmos problemas, a pós graduada em saúde mental e influenciadora  Patrícia Lorete, do @janeladapatty, produz conteúdos voltados ao incentivo da sexualidade e da autoestima da pessoa com deficiência

Patrícia Lorete

Patrícia Lorete é carioca, formada em Gestão de Recursos Humanos e Pós-Graduada em Saúde mental e Atenção psicossocial, é co-autora de três e-books sobre sobre sexualidade para pessoas com deficiência.

Diagnosticada com Atrofia Muscular Espinhal, mais conhecida como AME, Patrícia criou o perfil nas redes sociais para dialogar e tratar de assuntos relacionados ao dia a dia da pessoa com deficiência.

De acordo com a escritora e influencer digital, a ideia de criar o perfil na internet foi trazer representatividade nas redes para as pessoas com deficiência, algo que a própria Patrícia não teve. Hoje em dia, o cenário de influencers com deficiência cresceu muito, confira mais no nosso post: Influenciadores digitais com deficiência.

Patrícia também conta que escolheu “Janela da Patty” para seu perfil por conta da simbologia presente na palavra Janela.

Abrir ‘pro’ mundo, para que quem está dentro veja fora e para quem está fora, veja dentro

Patrícia Lorete

Atualmente, o @janeladapatty, seu perfil no Instagram, já agrega mais de 10 mil seguidores. E compartilha, principalmente, conteúdos sobre a sexualidade e autoestima da pessoa com deficiência. 

Com naturalidade e de forma direta, a influenciadora aborda desde os assuntos mais comuns, até os mais controversos e se tornou referência em sexualidade de pessoas com deficiência. 

Entrevista com a Patty

Pensando em ajudar a responder às dúvidas mais frequentes sobre a sexualidade e a autoestima da pessoa com deficiência, conversamos com a Patrícia Lorete para descobrir as principais dúvidas, medos e dicas para ter uma boa relação com a própria sexualidade.

De acordo com a escritora, as dúvidas mais frequentes entre os internautas estão sempre relacionadas ao corpo: Se é possível ter uma relação plena, se é possível proporcionar uma relação plena ao parceiro e se o parceiro vai se sentir atraído pelo corpo da pessoa com deficiência. 

Eu consigo ter e proporcionar uma relação plena? 

Sim! É possível ter e proporcionar uma experiência sexual plena, principalmente quando essa pessoa entende que o corpo inteiro é um órgão sexual e que ela não precisa se relacionar exatamente da mesma forma que uma pessoa sem deficiência.

Além disso, é importante focar nas coisas que são possíveis de se fazer, de acordo com a limitação de cada um. 

[…] a questão com a pessoa com deficiência é se adaptar: ‘eu podia fazer desse jeito, agora eu não posso mais, então eu não vou focar no que eu não posso mais, eu vou direcionar a minha visão para como eu posso fazer isso a partir de agora

Patrícia Lorete

Ou seja, é possível sim proporcionar prazer ao parceiro e a si mesmo, se a pessoa com deficiência souber explorar todas as áreas que estão dentro das suas possibilidades. 

Meu parceiro vai  se sentir atraído por mim? 

A ideia de corpo perfeito vinculada a um corpo sem deficiência causa uma série de inseguranças e medos, principalmente em mulheres. Esse conceito de perfeição faz com que mulheres com deficiência sintam que seus corpos não são desejáveis e portanto, a maior dúvida entre as mulheres, é se seus parceiros ou parceiras vão sentir atração pelo corpo com deficiência. 

Patrícia diz que quando é procurada por uma internauta que tem esse tipo de dúvida, o primeiro conselho é para que a mulher com deficiência pare de se comparar com a mulher sem deficiência.

”[…] não ficar se comparando com pessoas sem deficiência, porque os nossos corpos são diferentes, eles carregam histórias diferentes. “ 

Patrícia Lorete

A nossa sexualidade está ligada à nossa autoestima. A forma como nós nos enxergamos reflete diretamente na forma como nós nos relacionamos com o outro. 

Pessoas que se aceitam e se amam do jeito que são, se respeitam e se conhecem, acabam por exigir o mesmo tipo de relação no outro. Já pessoas que não conseguem se aceitar e se amar, acham que também não merecem ser amadas e desejadas pelo outro. E por isso, a sexualidade é constantemente afetada pelo nosso autoconceito.

Na hora de se relacionar com alguém seja você mesma, se conhecer e falar abertamente com o parceiro sobre o que você quer e o que você gosta, sem vergonha ou tabus.

E sempre ter em mente que o sexo envolve carinho, atenção, conexão e carícias. A prática sexual não tem roteiro e a sua relação não precisa ser igual a de outra pessoa para ser completa

Trabalho de Patrícia Lorete: 

A Patty possui três e-books sobre sexualidade que podem ajudar tanto no autoconhecimento quanto nas relações externas. A ideia da escritora é fornecer conhecimento para que pessoas com deficiência possam se descobrirem.

Intitulados de “Manual da mulher com deficiência”, “Sexualidade e deficiência: esse é o assunto” e o “Sexualidade e deficiência 2: o assunto continua”, os e-books trazem todos os tipos de assunto relacionados à sexualidade.

Sobre os E-Books

Os relatos contidos no material são abordados com muita naturalidade e trazem visões e temáticas muito diferentes. A maior parte do conteúdo é baseada em depoimentos e experiências pessoais. 

Nós contamos muito da nossa vivência e isso gera uma identificação com o leitor. Geralmente temos pessoas sem deficiência falando e nesse trabalho não.

Patrícia Lorete

Para Patrícia, um dos relatos mais importantes do livro conta  a história de uma amiga, que também é coautora dos e-books. Dayana, a dona do relato, tem distrofia muscular e namorou um rapaz que possui a mesma patologia. Ambos precisam de ajuda para fazer quase tudo, desde vestir a roupa, até sair da cadeira de rodas.

E devido a suas limitações físicas, quando ambos decidiram que era a hora de começar uma vida sexual, conversaram com as mães e tiveram não só a aprovação da família, como o auxílio das mães, quando a hora chegou.  

A autora conta que esse tipo de ajuda por parte da família quase nunca acontece, mas que dá esperanças para outras pessoas que passam pela mesma situação.

E isso quase não acontece, geralmente a gente é privado da sexualidade, então [o e-book]  traz também esse depoimento de uma mãe que pensa diferente e acaba dando esperança para outras pessoas com deficiência de que com o diálogo, consigam trazer essas mães também”. 

Patrícia Lorete

Os E-Books criados pela Patty, podem ser adquiridos através dos seguintes links

Manual da mulher com deficiência

Sexualidade e Deficiência: Esse é o assunto

Sexualidade e Deficiência 2: O assunto continua

Gostou dessa matéria e quer saber mais sobre sexualidade para pessoas com deficiência? Confiram nossos posts que tratam do assunto: Relacionamentos para pessoas com deficiência, 6 mitos e verdades sobre a sexualidade do cadeirante, motel adaptado.

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