relacionamento e pessoa com deficiência

Relacionamento e pessoas com deficiência: como superar inseguranças

Pessoas com deficiência, com muita frequência, sofrem com a invisibilização de questões como sexualidade, desejo e namoro. Apesar da luta diária para existir em um mundo cheio de preconceito, ainda há quem questione a autonomia de PcDs quando o assunto é relacionamento e pessoas com deficiência

Se você é uma pessoa com deficiência, é muito provável que você já tenha se questionado – ou até se angustiado – em algum momento na vida, relacionando deficiência e namoro. Se você nunca se perguntou ou não convive com uma deficiência, esse texto também é um convite para você refletir.

Pensando nisso, a Freedom resolveu trazer nesse post pontos importantes para desmistificar e contribuir com a visibilidade em relação ao tema: relacionamento e pessoas com deficiência.

Além disso, nesse texto tentamos responder à seguinte pergunta: “Como superar possíveis inseguranças com relação à deficiência e o namoro?”

Vamos lá?

“Meu corpo, minhas regras”

Muitas pessoas com deficiências físicas possuem processos complexos de aceitação do próprio corpo. Portanto, movimentos que buscam trabalhar a autoestima e ressaltar a singularidade de cada corpo são importantíssimos para a manutenção do amor próprio.

A boa convivência com o próprio corpo não só pode te deixar mais à vontade para desenvolver um senso de autoconhecimento, como também pode ajudar a impedir que você passe por uma experiência negativa.

Uma vez que se saiba lidar com o que gosta e o que não gosta que seja feito em seu corpo, bem como, suas limitações físicas, fica mais fácil resgatar a segurança para se relacionar com outra pessoa. Assim, estabelecer que seu corpo é único no mundo e aprender a amá-lo em sua complexidade pode ser muito libertador e empoderante.

Ideias como as do movimento “meu corpo, minhas regras” resgatam a autonomia de corpos historicamente hiperssexualizados ou fetichizados. Frequentemente estigmatizados por grandes indústrias. Por isso, infelizmente, muitas pessoas acreditam poder reproduzir essas violências simbólicas contra pessoas com deficiência impunemente. 

Estabeleça seus limites antes do primeiro encontro e deixe claro: “meu corpo, minhas regras”. Dessa forma, amar e aceitar seu corpo como ele é, pode te possibilitar uma emancipação de preocupações e inseguranças, mas também evitar perrengues em encontros.

Cuidado com a autossabotagem

Recorrer a piadas autodepreciativas, “furar” no primeiro encontro para ficar em casa e o medo de ter um encontro bem sucedido ser maior que o fracasso podem fazer parte de um pacote perigoso chamado: autoboicote.

A autossabotagem – outra designação para o mesmo fenômeno – acontece quando o nosso inconsciente nos interpreta como “não merecedores” de algo e passa a buscar explicações “plausíveis” para rechaçar aquilo que se deseja.

É normal que pessoas sintam ansiedade na hora de se envolver romanticamente com alguém. No entanto, para pessoas com deficiência, lidar com essa ansiedade quando, além de tudo, é preciso ocupar-se previamente com as necessidades de:

Tudo isso pode ser um prato cheio para a autossabotagem.

Para superá-la então, é fundamental acolher um processo de autoconhecimento que envolve se questionar: “o que desejo para mim?” e repensar pontos há muito tempo estancados, seja na vida pessoal, financeira ou amorosa.

Outra dica importante é transformar metas grandes em processos pequenos. Nesse caso, a cobrança por um “namoro ideal” com um interesse romântico novo, pode se transformar em um “vou sair para comer algo gostoso e conhecer essa pessoa melhor”.

Apps e sites de relacionamento inclusivos para pessoas com deficiência

Nos últimos anos, houve um boom de aplicativos e sites de relacionamentos no mercado. No entanto, apesar de muitos permitirem todo tipo de apropriação do perfil pelo usuário, seus desenhos acabam por segregar mais as pessoas com deficiência.

Contudo, não faltam alternativas inclusivas para o público PcD. São exemplos de Apps e site de relacionamento inclusivos:

Comunique-se

Pessoas que vivem um relacionamento com uma pessoa com deficiência relatam que fazer perguntas e sanar suas dúvidas a respeito da vida e do dia a dia do seu parceiro é essencial.

Uma grande aliada de qualquer relacionamento é a comunicação, assim, quando os dois deixam todas as questões resolvidas, lidar com qualquer tipo de barreira pode ser muito mais fácil.

Sexualidade

Mesmo sendo um tema discutido, a sexualidade das pessoas com deficiência ainda é considerada um tabu. Contudo, PcDs podem e têm uma vida sexual.

Em primeiro lugar, para saber como vai ser a vida sexual do casal, deve-se considerar a deficiência do parceiro. Aceitar e compreender suas limitações é o primeiro passo para começar a explorar novas possibilidades

Dependendo do tipo de deficiência, a sensibilidade dos órgãos sexuais pode ser modificada, tanto nos homens como nas mulheres. Dificuldade de ereção, ejaculação ou baixa lubrificação vaginal são características que podem estar presentes na rotina dos usuários de cadeiras de rodas, por exemplo.

De toda forma, o sexo e o prazer são perfeitamente possíveis — o que muda mesmo é a maneira de alcançar e sentir o orgasmo. Quer saber mais sobre o assunto? Confira nosso texto: 6 mitos e verdades sobre a sexualidade do cadeirante.

A deficiência não vai definir o seu relacionamento. Assim sendo, a união do casal vai ser o principal combustível para superar possíveis barreiras.

Haverá desafios

Afinal de contas, todo relacionamento novo traz novos desafios. Contudo, a maior parte das barreiras que vão ser encontradas no princípio do relacionamento estarão relacionadas a preconceitos ou tabus, que infelizmente estão enraizados na nossa sociedade.

O casal deve aprender a lidar com os novos conflitos. Portanto, Para ter um relacionamento saudável e feliz, a pessoa deve se desprender de todos os seus estigmas e intolerância. 

Se você chegou até aqui e gostou, não deixe de comentar aqui no blog e compartilhe com quem você acha que vai gostar, ou quem sabe até com um novo interesse romântico?

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