11 situações que todo cadeirante já passou

Nas ruas, no transporte público ou até na própria casa, há algumas inconveniências pelos quais toda todo cadeirante já deve ter passado. Obstáculos, como calçadas estreitas e banheiros não adaptados dificultam a rotina das pessoas que usam cadeiras de rodas.

A falta de acessibilidade é um dos principais problemas enfrentados por PCDs para se deslocarem diariamente, seja para trabalho, estudo ou lazer. São barreiras físicas e sociais que ferem a autonomia de quem utiliza cadeira de rodas como meio de locomoção.

Muitas dessas barreiras são invisíveis no dia a dia, além de estressar o cadeirante podem atrapalhar sua rotina.  Preparamos uma lista com situações que todo o cadeirante já passou, além disso, procuramos soluções para alguns problemas não serem recorrentes.

1. Falta de acessibilidade nas ruas e estacionamentos

Um dos problemas mais recorrentes para um usuário de cadeiras de rodas é a dificuldade de circular em espaços públicos. Calçadas desniveladas, esburacadas ou/e estreitas; a falta de rampas de acesso ou rampas de acesso mal feitas.

No entanto, se o cadeirante usa carro, também passa por dificuldades. Mesmo com as vagas para PCDs, o problema de acessibilidade não é sempre solucionado. 

A reserva de vagas especiais para pessoas com deficiência em estacionamentos é assegurada por lei federal. A regra determina que 5% do total de vagas sejam voltadas para idosos e 2% a pessoas com deficiência.

Primeiramente a vaga de estacionamento precisa estar próxima na porta. Além disso, precisa ter um espaço maior para o cadeirante se locomover com a cadeira ou mesmo retirá-la do carro.

Os problemas não só envolvem a estrutura do estacionamento, mas seus ocupantes. O desrespeito a vaga de cadeirante é infelizmente comum.

Sem a vaga de cadeirante, pode ser impossível para o PCD ter acesso a edifícios, lojas e prestadores de serviços.

Tudo isso dificulta muito a vida do cadeirante e, infelizmente, não existe uma solução prática para estes problemas, além de exigir melhorias pelo poder público. 

Uma dica para evitar esses transtornos pesquisar sobre o local que você planeja ir no Google Maps, usando as imagens para conferir a acessibilidade das ruas e assim diminuir estes transtornos. Você também pode telefonar para o estabelecimento que planeja ir, para descobrir se há vagas adaptadas para cadeirantes no estacionamento, por exemplo.

2. Ser o centro das atenções

Todo o cadeirante já deve ter sentido a sensação de ser o centro dos atenções, certo? É fácil encontrar cadeirantes relatando que quando saem de casa, são seguidos por olhares com curiosidade e estranheza.

Infelizmente, a falta de informação é um grande problema na nossa sociedade, a maior parte das pessoas nunca conviveu ou teve contato com um cadeirante, contudo, isso não justifica seu comportamento invasivo.

É por isso que conscientização é tão importante, a única diferença de uma pessoa cadeirante para uma não cadeirante, é que a forma de se locomover dos dois é distinta, e isso não torna o cadeirante especial ou diferente do resto da sociedade. 

3. Preconceitos

Lamentavelmente o preconceito ainda é um problema em pleno século 21 para cadeirantes. 

Ser seguido por olhares pode ser até aceitável quando não for acompanhado de comentários maldosos ou perguntas inconvenientes.

O preconceito pode vir de formas mais camufladas, por exemplo, apenas 1% dos deficientes físicos está no mercado de trabalho, e um dos grandes motivos para isso é o preconceito.

Definitivamente é difícil lidar com um problema tal como o preconceito, o que não apenas cadeirantes e PCD’s, mas a sociedade como um todo devem fazer é conscientização e a inclusão de cadeirantes no mercado de trabalho e na sociedade.

Além disso a discriminação da pessoa com deficiência é crime no Brasil, e sujeito à pena de três anos de reclusão. Portanto, se você tiver passado por essa situação, denuncie!

4. Dificuldade no mercado de trabalho

Uma das ações mais importantes para aumentar o mercado de trabalho para pessoas com deficiência é a Lei n. 8213/1991, conhecida como Lei de Cotas. Ela especifica que as empresas devem oferecer de 2% a 5% das vagas para pessoas com deficiência.

Mesmo assim, a porcentagem de cadeirantes e PCD’s inseridos no mercado de trabalho é extremamente baixa, o que prova que essa lei pode não estar funcionando perfeitamente.

Além da dificuldade de romper os preconceitos e conseguir um emprego, o cadeirante precisa lidar com a falta de acessibilidade de muitas empresas, o que além de tornar a rotina do PCD ainda mais difícil, pode desanimá-lo para continuar no mercado de trabalho.

Contudo, a tecnologia tem auxiliado a melhorar esse quadro. Há diversas vagas e ramos que estão sendo cada vez mais preenchidos por cadeirantes.

Sem dúvidas, vencer essa barreira é um desafio que deve ser enfrentado por toda a sociedade. Mesmo com as dificuldades, há muitas alternativas para expandir o mercado de trabalho para pessoas com deficiência.

5. Pessoas impertinentes

Sempre tem aquela pessoa que fica segurando a cadeira, ou colocando coisas no colo do cadeirante, de uma forma desrespeitosa ou inoportuna. Todo o cadeirante já teve que lidar com alguém inconveniente, que não reconhece limites e o deixa constrangido.

Por exemplo, quando um cadeirante se depara com uma escada e alguém se propõe carregá-lo, mas ele não se sente confortável. Mesmo que a pessoa insista, ele não precisa aceitar se não estiver confiante.

Ser carregado por alguém sem experiência pode ser perigoso e traumático, o PCD pode ficar muito assustado ou pior, pode acabar sendo derrubado ou tendo a cadeira danificada. De qualquer forma, não vale o risco.

Outro exemplo é quando uma pessoa que acabou de conhecer o cadeirante faz perguntas pessoais e inconvenientes, como: “Como você acabou em uma cadeira?”,”Como você tem relações sexuais?” e “Como você vai ao banheiro?”.

É interessante sanar dúvidas como essas para ajudar na falta de informações, mas caso isso aconteça com você, lembre-se que você não é responsável em explicar nada a aquela pessoa. Se você se sentir desconfortável, não deve se obrigar a responder ou continuar aquela conversa.

Infelizmente muitas pessoas não vão saber que estão sendo inconvenientes até que seja dito. Então não hesite em dizer, isso pode livrá-lo de situações desconfortáveis e evitar que isso aconteça a outras pessoas.

6. Problema no transporte público

Às vezes pode ser bem complicado para um cadeirante encontrar um ônibus acessível. Em determinados locais, pode não haver nenhum disponível com elevador ou rampas, outro problema pode ser o motorista não ter o treinamento para lidar com você ou com os aparelhos de acessibilidade. 

Em metrôs pode haver a dificuldades para achar elevadores, e nem todas as estações vão disponibilizar essa alternativa. Além disso, a falta de funcionários para auxiliar no uso das catracas pode complicar a vida do usuário.

Para entrar no trem, caso não haja a rampa, o usuário pode precisar de ajuda para embarcar sem cair no vão.

Para ambos os casos, a solução é pesquisar. Pesquise se a linha de ônibus que você pegar possui algum ônibus acessível e quais são seus horários.

Caso não haja um disponível na região, relate seu problema, afinal, é direito seu ter acesso ao transporte público.

Se vai usar o metrô, pesquise se a estação possui elevador ou rampas e evite horários de pico.

7. Chuva

Estar na rua e notar que está prestes a começar a chover pode ser assustador, ainda mais se você está longe de casa ou de um abrigo.

O maior medo pode ser em relação a cadeira, já que alguns modelos podem não ser muito resistentes a chuva. 

As cadeiras motorizadas por exemplo, suportam um pouco de chuva se estiverem com todas as vedações novas mas o maior problema na verdade é a saúde do próprio cadeirante, pois na cadeira sob a chuva, você acaba encharcado e pode ficar resfriado.

A melhor maneira de evitar isso é conferindo a previsão do tempo antes de sair de casa, outra solução pode ser um suporte de guarda-chuva para a cadeira de rodas.

8. Furar o pneu

Não tem inconveniência maior do que acabar com um pneu furado quando se está na rua. Pode ser um grande problema quando não se tem uma alternativa acessível.

É importante se programar, ter roda dianteira reserva disponível pode ser  conveniente em alguns casos. 

Se é um problema muito recorrente em função das distâncias e do terreno, cogitar o uso de pneus maciços na dianteira, usando suspensão se quiser manter o conforto.

Uma boa dica é carregar sempre uma bombinha para encher os pneus, no caso de que fiquem murchos.

9. Acabar a bateria

No caso das cadeiras motorizadas, acabar a bateria pode ser um problemão, principalmente porque o cadeirante fica sem alternativa senão chamar ajuda.

Para prevenir um problema como esse, é necessário observar o tempo de carga da bateria. Se a bateria depois de descarregar totalmente, carregar em menos de 4 horas, ela já pode estar com a capacidade bem reduzida.

Em outras palavras, a bateria é como uma caixa d’água. Leva um tempo para encher (carregar), e um tempo para esvaziar (descarregar). A capacidade em Ah da bateria é o tamanho da caixa d’água nessa analogia. Com o passar do tempo a bateria  vai perdendo a capacidade (Como se colocassem areia na caixa d’água). 

10. Banheiros adaptados divididos por sexo

O banheiro para cadeirantes em um estabelecimento deve ficar fora das alas divididas por sexo. Quando não é dessa forma, é impertinente, não só para o cadeirante, mas para um possível acompanhente.

Por exemplo, quando uma mulher cadeirante que precisa de ajuda para ir ao banheiro, descobre que a área disponível para ela fica dentro do banheiro feminino, contudo, seu acompanhante é homem. 

Há certos lugares que não permitem que o acompanhante entre no banheiro do sexo oposto, mesmo nessas circunstâncias, quando é permitido, pode ser extremamente constrangedor para o acompanhante entrar naquele ambiente.

Sem seu acompanhante, pode ser impossível para o cadeirante usar o banheiro. Portanto, mesmo que o banheiro adaptado seja completo, o cadeirante não pode usá-los.

Todo o cadeirante já está consciente da dificuldade de encontrar banheiros adaptados, portanto, já toma algumas providências para não ficar em apuros. 

Mas, caso você se encontre nessa situação, não deixe de protestar e explicar porque a separação é um problema.

11. Mãos sujas

Para usuários de cadeiras manuais, sujar as mãos pode ser algo tão natural quanto respirar. Ao manusear as argolas de propulsão, as mãos acabam tendo contato com as rodas, que podem acabar sujas dependendo do local onde o cadeirante está andando.

O problema pode ser muito maior dependendo do terreno, sujar as rodas com barro, lixo ou pior, fezes de animais. Infelizmente são problemas cotidianos e a melhor dica que podemos dar para lidar com isso, é carregar lenços umedecidos ou uma toalha, e claro levar situações como essa com bom humor.

Por fim, vale ressaltar que infelizmentes muitos problemas ainda não possuem soluções fáceis. Problemas de acessibilidade e preconceitos nos chocam por ainda estarem presentes em um mundo que deveria ser cada vez mais civilizado.

Encarar essas situações na vida com positividade pode ser muito difícil, mas às vezes é a única solução. A esperança de um futuro melhor nunca deve morrer, pois querendo ou não, nossa sociedade está evoluindo para ser ainda mais inclusiva.

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