Histórias de Sucesso: Romilda de Paula

[História de Sucesso] Romilda de Abreu de Paula

Romilda de Abreu de Paula tem 50 anos bem vividos. De família simples e humilde, ela tem orgulho em falar dos sete irmãos que seus pais criaram com muito suor e, como ela mesmo diz, “nunca deixaram faltar nada”.

O caminho de Romilda foi cheio de estudo e trabalho, tanto que os 22 anos ela já estava formada. Desde muito cedo sabia que iria ser professora, mas até realmente exercer a profissão, passou por inúmeras experiências. Uma delas mudou totalmente sua rotina, que até hoje nunca mais foi a mesma.

Em 2013, Romilda teve a Síndrome de Guillain-Barré e perdeu totalmente a mobilidade. Mas, apesar das dificuldades, conseguiu recuperar a autoestima e alguns movimentos. Hoje ela utiliza o andador para se locomover dentro de casa e, ao passear, a Cadeira de Rodas Motorizada lhe traz de volta a liberdade de ir e vir.

História de Romilda de Paula

Romilda de Abreu de Paula mora em Quedas do Iguaçu, no Paraná, há cerca de 39 anos. Ela é professora de Educação Infantil, casada e mãe de três filhos. Antes de exercer a profissão de professora, ela ainda trabalhou em um supermercado e como costureira industrial.

Se formou no curso de Magistério em 1990, quando tinha apenas 22 anos. Com 25, já estava casada. Até 2003 passou por outras áreas profissionais para então voltar a dar aulas, em contrato com a prefeitura. Em 2007 prestou concurso e foi contratada como professora, ainda na área infantil.

No ano de 2013, cursava o 3º período da Faculdade de Pedagogia. Porém, no meio do caminho, teve que deixar de lado a especialização por conta dos sinais da doença que começaram a surgir. Em abril de 2013, Romilda de Paula começou a sentir os sintomas da Síndrome de Guillain-Barré. Mas, até ter o diagnóstico, passou mais de 20 dias sem os movimentos e sem entender o que estava acontecendo.

Síndrome de Guillain-Barré é uma doença autoimune, que faz com que o sistema imunológico ataque os nervos. Ela é causada por uma infecção bacteriana ou viral aguda. Dentre os sintomas, estão fraqueza muscular e formigamento nos pés e pernas, que se espalham rapidamente para a parte superior do corpo. Em questão de dias, paralisa o corpo inteiro. Essa doença é difícil de ser detectada porque se confunde com sintomas de outros problemas neurológicos. Por isso, seu diagnóstico normalmente demora para ser definido.

O diagnóstico

Romilda de Abreu de Paula relembra minuciosamente cada detalhe do mês em que descobriu a doença. “Acordei como todo dia: com o celular despertando para ir trabalhar. Mas nesse dia estava diferente, minha mão e antebraço esquerdo estavam amortecidos e formigando, pensei que tinha dormido em cima do braço e por isso estava daquele jeito”, conta Romilda.

Apesar dos incômodos físicos, ela seguiu o dia normalmente, como sempre fazia. “Levantei, fui ao banheiro, me arrumei e nada de minha mão e antebraço voltarem ao normal. Fui pro Centro de Educação Infantil, onde começava a trabalhar às 07:00 horas da manhã. Minha mão estava do mesmo jeito, não voltava ao normal”, relembra.

Na época, a professora trabalhava com alunos de 2 a 3 anos de idade, em uma turma de 15 crianças. Ela dividia a função com mais outra profissional, no qual as tarefas variavam entre cozinha, papinhas e troca de fraldas. Romilda ficou responsável pela última atividade, o que lhe exigia bastante agilidade nos movimentos.

Mesmo sem força e com intenso formigamento nos braços, cumpriu sua função. Depois, resolveu ir até o Posto de Saúde mais próximo, para entender o que estava acontecendo. De lá, lhe encaminharam para o Pronto Socorro. E a partir daí,  foram vários processos até a professora descobrir o que acontecia com seu próprio corpo.

No Pronto Socorro, nada parecia anormal em Romilda de Paula. Aparentemente era falta de circulação e pressão alta. Então, ela voltou para casa e seguiu com a rotina de trabalho e faculdade.

Suas aulas ficavam em Laranjeiras do Sul, no Paraná. Mesmo com dificuldade, a então estudante conseguiu fazer suas atividades e ainda saiu para uma lanchonete com os colegas. No outro dia, os sintomas pareciam se agravar. “Quando me mexi, além de minhas mãos estarem do mesmo jeito, sem alteração, meus pés estavam amortecidos e formigando. Quando levantei, não conseguia andar direito, fiquei bamba dos pés. Avisei a diretora da escola onde trabalhava, que estava pior que no dia anterior, e que iria para o Pronto Socorro novamente”, conta Romilda.

O médico que atendia Romilda naquele dia, desconfiava de estresse, cansaço ou até mesmo nervosismo. Mas a professora, desconfiada, afirmava que não sentia nada do lhe foi dito. Foi lhe prescrevido repouso e recomendado que não ficasse sozinha. Desde então, ela ficou na casa da mãe pois, além do marido, os filhos estudavam e trabalhavam.

Na casa da mãe, Romilda continuava na mesma situação, porém, com um pouco mais de dificuldade para exercer atividades simples do dia a dia, como segurar o garfo para comer. Naquela noite, a professora não conseguia mais mexer as pernas e os pés. A partir daí, muitas incertezas eram sentidas pela família toda que, reunida, lhe acompanhava aos médicos.

Romilda de Paula foi encaminhada para o Neurologista, mas, antes de conseguir definitivamente a consulta, voltou para casa da mãe. Nesse período, a professora perdeu completamente os movimentos. Como se não bastasse, as dores começaram a aparecer.

A partir disso, Romilda de Paula passou por diversos exames até que os médicos conseguiram, finalmente, ter o diagnóstico correto do problema: a Síndrome de Guillain-Barré. “O interessante é que nós nunca tínhamos ouvido falar dessa doença até eu ser acometida. Quando recebi o  diagnóstico, tive que pedi para minha filha, que estava comigo como acompanhante no hospital,  falar para o pai dela e minhas irmãs pesquisarem o que era essa doença”, conta. “O que deu um alívio foi que os médicos falaram que meu problema tem reversão, que o paciente se recupera. Mas eles não sabem dizer se a recuperação é total ou parcial, pois varia muito do tempo de diagnóstico e tratamento. No meu caso levou quase um mês para ser diagnosticado”.

Assim que Romilda de Paula teve em mãos o diagnóstico, passou por tratamentos medicamentosos. A partir daquele momento, a sua rotina passava por uma enorme mudança, no qual dedicava-se integralmente a fisioterapia. Para a professora, que amava dançar e trabalhar no que tanto se dedicou a estudar, virar dependente de cuidados não foi nada fácil. Momentos de revolta também aconteceram.

Mas a dedicação de Romilda à cura sempre persistiu. Com um ano de tratamento, ela já notava alguns avanços. cada pequeno detalhe é uma vitória.

Uma rotina de adaptação

A vida de Romilda de Abreu de Paula mudou completamente e a fisioterapia virou sua aliada na busca pelos movimentos que, aos poucos, ganham mais força.

A internet foi outra aliada no seu tratamento. Além de pesquisar sobre seu problema, lá ela encontrou apoio de outros diagnosticados. “Fui pesquisar sobre essa doença, saber se tinha mais pessoas que tiveram ela. Foi então que encontrei várias outras. No Facebook temos 5 grupos de pessoas que foram acometidas, é bastante gente, apesar de falarem que é uma doença rara, existem muitos casos”, conta Romilda.

Hoje, Romilda de Paula já consegue fazer alguns movimentos. Mesmo com as dificuldades, continua a viver a vida e buscar sempre avançar nos tratamentos. “Em vista  de como fiquei, hoje eu estou bem. Uso uma órtese nos pés, tenho o andador para ajudar no equilíbrio e tenho a Cadeira de Rodas Motorizada que me dá liberdade para poder sair”, relata a professora.

Da cadeira de rodas à liberdade

“A cadeira de rodas é para me dar liberdade de ir e vir quando preciso sair de casa”

Em janeiro de 2014 Romilda de Paula passou a usar Cadeira de Rodas Motorizada. Antes dela, utilizava modelo manual, que exigia que seu filho caçula lhe empurrasse. Até 2017, nunca tinha trocado de veículo, apesar de alguns problemas mecânicos.

Desde o ano passado, a professora utiliza a Cadeira de Rodas Motorizada Freedom, que foi possível devido ao convênio com a Clínica de Fisioterapia da Unioeste, onde faz seu tratamento com fisioterapia. “Meu fisioterapeuta tirou minhas medidas no mês de julho de 2017, e em outubro do mesmo ano recebi a Cadeira de Rodas da Freedom. A Cadeira Motorizada facilitou muito minha locomoção, me deu liberdade de ir e vir”, conta Romilda.

Uma recuperação gradativa

Apesar das intensas mudanças na trajetória, Romilda não desistiu de buscar uma boa qualidade de vida. “Com a internet eu procurei apoio psicológico, para poder enfrentar tudo isso. Pois temos de ter muita paciência com a gente e com os outros, é muito gradativa a recuperação. Mas hoje já consigo comer e me virar sozinha”, conta Romilda.

Segundo a professora, sua família é simples e humilde. O que ela talvez não identifique, é que sua riqueza está em sua perseverança, juntamente com aqueles que a rodeiam: Como seus filhos, Felipe William, com 24 anos, Rúbia Samara, com quase 22 anos, e Deivide Cristiano, prestes a completar 20 anos. Juntos, o apoio e carinho nunca se fizeram ausentes.

Com os pequenos avanços do dia a dia, Romilda se fortalece cada vez mais. “Dou graças a Deus em poder lutar pela vida, de seguir em frente apesar das dificuldades. Nunca desisti de lutar”, afirma.

Com força e persistência, a professora Romilda avança nos tratamentos, ganhando mobilidade, seja com a Cadeira de Rodas Motorizada para passear junto à família, ou com o Andador para se locomover onde mora.

Aos poucos, retoma seu dia a dia, com otimismo e buscando sempre avançar cada vez mais. “Essa é minha história de sofrimento, luta e sobrevivência. Amo a vida, e creio que ainda tem muita coisa boa para eu vivenciar”, finaliza Romilda de Paula.

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2 Comentários

    Deus o abençoe sempre Romilda, força e fé Deus é por nós, beijão 😀
    Grato
    Abs.

    muito linda história de superação e força

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