Motorização: entenda como funciona este importante elemento das cadeiras de rodas motorizadas

Muitas pessoas com deficiência física optam por utilizar cadeira de rodas motorizadas devido ao grau de comprometimento da mobilidade. Esse equipamento é ideal para o alcance da maior independência, já que possui motor e faz a cadeira de rodas se locomover sem que o usuário necessite de ajuda ou gaste sua força e energia para empurrar o equipamento.

A motorização de uma cadeira de rodas motorizada, normalmente, integra três elementos: motor, freio e transmissão. Inúmeras são as funções e aspectos ligados à esse componente e, por isso, é importante que o usuário esteja por dentro de como a motorização funciona para poder verificar o seu bom desempenho.

Siga a leitura e tire as dúvidas de como funciona o trabalho realizado pelo elemento principal das cadeiras de rodas motorizadas!

Controle de direção e velocidade

O controle de direção de uma cadeira de rodas motorizada é, na maioria das vezes, feito por variação de velocidade entre as rodas, assim como acontece em uma cadeira de rodas manual. Por esse motivo, as cadeiras de rodas motorizadas sempre possuem dois motores, um para cada roda. O controlador eletrônico comanda independentemente esses dois motores.

Para se movimentar em linha reta, por exemplo, ambos motores se movimentam no mesmo sentido de rotação e mesma velocidade. Caso o usuário queira que a cadeira dobre, a sua velocidade será reduzida e os motores passarão a girar em mesma direção e sentido, porém, com velocidades diferentes.

É possível girar 360º sobre o próprio eixo, sem que ocorra descolamento, por exemplo, girando os motores na mesma velocidade, porém em sentidos opostos.

Motor e potência

A transformação de energia elétrica em mecânica, através de dois motores de corrente contínua, é o princípio de funcionamento da cadeira de rodas motorizada. Para que a motorização tenha o correto desempenho, é preciso que o motor tenha uma potência ideal para que execute o bom trabalho de locomoção.

A potência é uma importante característica do motor. É ela que vai determinar a capacidade de carga, velocidade máxima, capacidade de vencer obstáculos, como subidas, e o consumo de energia.

É preciso ressaltar, contudo, que o motor nunca fará o trabalho sozinho. Por exemplo, se o usuário ultrapassar obstáculos, deve ser observado, além da potência do motor, as características físicas da cadeira de rodas. Cadeiras com pouca distância livre do solo, por mais que tenham motores potentes, não conseguirão transpor obstáculos muito altos, pois poderão bater no piso com mais facilidade.

A potência é um elemento muito valorizado pelos usuários de cadeira de rodas motorizada, principalmente porque relaciona com a velocidade máxima do veículo. E andar rápido, é uma questão recorrente entre a maioria dos usuários. Porém, nem sempre maior potência significa maior velocidade, pois outros elementos, como relação da transmissão, peso na cadeira e eficiência dos motores são influentes.

Em média, uma pessoa caminhando rápido atinge 6,5 km/h. Mesmo com motores menos potentes, uma cadeira de rodas motorizada chega nessa velocidade facilmente. Mas se o usuário desta cadeira de rodas quer que proporcione uma velocidade ainda maior, é aí que a potência do equipamento deve ser observada com mais atenção.

Maior potência ou menor potência?

Motores com grandes potências costumam gastar mais energia e isso acaba impactando na autonomia geral da cadeira de rodas. Para compensar essa escolha deve-se instalar baterias com capacidades maiores. Contudo, causará maior peso no equipamento.

Muitas vezes, o aumento da potência e, consequentemente, da capacidade das baterias, pode resultar em um sistema menos eficiente. Por conta do peso das baterias, a cadeira de rodas ficará ainda mais pesada para se locomover e isso fará com que gaste mais energia.

As cadeiras de rodas com motores de potência mais baixa, normalmente, são mais eficientes que as que usam motores de potência mais alta devido a esse aspecto. Mas vale ressaltar, que isso não é uma regra e nem sempre tem impacto significativo no desempenho. É preciso ter em mente que essas condições devem ser levadas em conta no momento da escolha do produto.

É preciso que o usuário entenda que há um limite, e que dependendo do aumento da potência, pode não resultar no bom desempenho da cadeira de rodas motorizada.

Transmissão

Para que a cadeira de rodas motorizada se locomova, é preciso transferir o movimento do motor para as rodas. Esse processo acontece através da transmissão da motorização.

O sistema trabalha da seguinte forma:

Os eixos dos motores rodam em uma rotação bastante elevada. Essa rotação precisa ser reduzida para que o sistema ganhe torque e diminua a velocidade acertando para a velocidade máxima que se deseja na cadeira de rodas.

A motorização pode ser constituída por dois tipos de transmissão, por caixas de engrenagens ou por um conjunto de polias e correias.

ENGRENAGEMCORREIA

Diferenças

Quando por caixas de engrenagens, há pouca possibilidade de manutenção. Pode-se trocar rolamentos, retentores e repor graxa. Caso a caixa apresente problemas nos dentes das engrenagens, a manutenção fica impraticável e a caixa completa precisa ser trocada. As motorizações engrenadas ainda apresentam uma folga ligada ao eixo da roda. Essa folga faz com que na arrancada ou parada da cadeira de rodas, se perceba uma batida de engrenagem, pois nem sempre os materiais estão encostados no sentido do movimento de arrancada. Já que os freios são ligados ao eixo do motor, eles não impedem a ação dessa folga que aparece no eixo de saída da caixa de engrenagens. Esse efeito não existe nas transmissões por correia.

COMPARAÇÃOENGRENAGEMOK

Já os sistemas de transmissão por correias são de alta durabilidade, tornando-se de baixa manutenção. Elas são empregadas em automóveis e motocicletas fabricadas para durar, nesses tipos de veículos, cerca de 40.000 km à 50.000 km. Para cadeiras de rodas motorizadas, o desgaste das correias pode acontecer por agressão mecânica externa, como por exemplo, em situação de “pedrinhas” ou sujeira acumular na correia. Nas polias, o ajuste ou troca do sistema pode acontecer por conta do desgaste natural que é gerado devido ao longo tempo de uso.

Comparações

Por conta da folga presente no sistema da caixa de engrenagem, a cadeira de rodas motorizada acaba por perder precisão em pequenas manobras. A transmissão por correias não apresenta essa folga, proporcionando que o usuário faça manobras mais finas e, dessa forma, com mais precisão.

Outra questão a ser observada na transmissão por caixa de engrenagem, são as acelerações mais bruscas serem limitadas para que as engrenagens não sejam agredidas. Enquanto que no sistema de correias, se permite que faça uma aceleração brusca (modo turbo), o que possibilita empinar a cadeira de rodas para vencer pequenos obstáculos.

Empurrando manualmente a cadeira de rodas motorizada

Muitas vezes é preciso que se empurre manualmente uma cadeira de rodas motorizada. Isso, por vários motivos. Seja por falta de energia nas baterias, problemas técnicos ou apenas porquê o cuidador acha mais fácil manejar a cadeira em uma curta distância empurrando-a, por exemplo.

Mas para que o sistema de motorização do equipamento seja parado e o modo manual seja ativado, o freio deve ser desativado de uma dada maneira, que pode variar conforme cada tipo de motorização.

Muitas cadeiras de rodas motorizadas possuem uma alavanca ligada diretamente ao freio que o desarma mecanicamente. Nesse caso, ao empurrar a cadeira, o usuário faz com que o motor gire manualmente junto com as rodas, tornando o deslocamento um pouco pesado.

Se a alavanca estiver ligada à caixa de engrenagem, ela desacopla o motor das rodas, com um carro em ponto morto. Nesse tipo de sistema, o freio fica ligado ao lado oposto do eixo do motor. Assim, a cadeira de rodas fica mais leve para ser empurrada, pois a roda passa a girar livremente.

O controlador da Freedom possui a função de desativar o freio no painel da cadeira de rodas motorizada e, por conta disso, é possível fazer a operação eletronicamente. Basta pressionar o botão Break/Off! Assim, o usuário não precisa se abaixar para movimentar a alavanca e fazer os ajustes. Acaba sendo bastante prático no caso de pequenas manobras. Em caso de movimentações mais longas, o sistema pode ser mecanicamente desacoplado.

Não é preciso que o usuário se preocupe e entenda cada detalhe composto na motorização no momento do deslocamento, pois o controlador eletrônico inteligente faz a tradução dos comandos dados no joystick. Mas entender o básico do trabalho realizado pela motorização é importante e facilita na hora da escolha do produto e no uso do equipamento.

Esse foi mais um post para você entender como funcionam nossos produtos. Gostou? Então siga nos acompanhando para ficar por dentro de tudo o que compõe as cadeiras de rodas Freedom!


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