Indústria, profissional da saúde e paciente: a recomendação de equipamentos assistivos

A recomendação adequada de qualquer equipamento de tecnologia assistiva, além de gerar mobilidade e, muitas vezes, acessibilidade, é fundamental para a recuperação e vivência do paciente. Nesses casos, o olhar do profissional da saúde é fundamental.

Cadeira de rodas, por exemplo, é um equipamento assistivo que amplia a mobilidade e reintegra a pessoa com deficiência física à comunidade em que está inserida, ajudando na sua socialização, tornando-a ativa e produtiva. Mas esse tipo de equipamento só será realmente útil para o usuário, se for recomendado adequadamente.

Para isso, inúmeros aspectos devem ser levados em conta. Cada caso deve ter um atendimento específico e uma recomendação que leve em conta o diagnóstico do paciente e seu dia a dia. Para compreender a importância do profissional da saúde em relação às necessidades dos pacientes, vamos entender melhor como se deu o caso de Gelson Vargas e a recomendação da sua cadeira de rodas motorizada adaptada.

Durante o mês de dezembro de 2016 até maio de 2017, a Freedom teve envolvimento direto com o desenvolvimento de uma cadeira de rodas motorizada totalmente diferente. O desafio, era produzir uma cadeira de rodas adaptada especificamente para Gelson da Silva Vargas, que chegou através de triagem para o Serviço de Reabilitação Física da Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC). Projeto esse, que a Freedom é parceira e ajuda na confecção de produtos de tecnologia assistiva.

Serviço de Reabilitação Física UNISC

O Serviço de Reabilitação Física é realizado na Clínica de Fisioterapia da UNISC, credenciado ao Ministério da Saúde, que presta serviço à nível intermediário, tendo como atenção a saúde a nível administrativo para formação profissional dos cursos de Fisioterapia, Nutrição, Psicologia, Enfermagem e Serviço Social, contando com a presença de um médico e um terapeuta ocupacional.

O serviço atende 68 municípios da Região dos Vales (Rio Pardo, Taquari e Jacuí), disponibilizando órteses e próteses, e reabilitação fisicofuncional. Após todo o procedimento iniciado com a Secretaria Municipal de determinado município, o paciente é encaminhado para o Departamento de Assistência Hospitalar e Ambulatorial (DAHA), que passa a compor a agenda do Serviço de Reabilitação Física da UNISC.

A partir daí, procedimentos para o desenvolvimento da assistência à saúde do paciente começa. O serviço disponibiliza setores de triagem, ortopedia, atendimento e entregas. Foi através da triagem, que Gelson Vargas chegou até o serviço de reabilitação. Ele precisava de uma cadeira de rodas adaptada e específica, devido à condição da sua malformação física.

Mas como se deu o processo para a recomendação adequada do equipamento à Gelson? Cada mínimo detalhe nesses processos são fundamentais para o melhor resultado, além de contribuir para a recuperação, conforto e segurança.

Entendendo o caso

Gelson da Silva Vargas chegou até o Serviço de Reabilitação Física da UNISC através da triagem. Ele utilizava uma cadeira de rodas estilo “carrinho”, que foi feita pelo pai, Lauro Vargas, que também o empurrava. Gelson possui uma malformação devido à distrofia muscular, que o impossibilitou de se desenvolver como qualquer pessoa e, dessa forma, passou a necessitar de cadeira de rodas para se locomover.

“O Gelson veio pela triagem, buscando uma cadeira de rodas. Como nós temos, além da Freedom, outros fornecedores, nosso fisioterapeuta, Rafael Kniphoff da Silva, entrou em contato com todos para achar uma cadeira de rodas adequada. Inclusive, fizemos uma consulta com nossa engenharia. Nenhuma das cadeiras, instituídas previamente fabricadas, se adequavam à ele. Então optamos por fazer uma cadeira de rodas personalizada. Que fosse um carrinho, que o pai não se desgastasse tanto para empurrar e que ele se sentisse bem e seguro naquele lugar. Tiramos medidas, fotos e mandamos para Freedom que, prontamente, aceitou o desafio junto conosco”, conta a coordenadora do Serviço de Reabilitação Física da UNISC, Angela Cristina Ferreira da Silva.

Por conta da gravidade da lesão do diagnóstico, Gelson não conseguia locomover a cadeira de rodas sozinho. Foi aí, a primeira questão a ser levada em conta. Para ele, o ideal seria uma cadeira de rodas motorizada. “Ele queria que colocássemos apenas um motor na cadeira. Disse que estava ótima, precisava apenas de um motor para ser mais independente”, conta o fisioterapeuta Rafael da Silva.

Percebeu-se que, para o diagnóstico de Gelson, uma recomendação adequada era extremamente necessária e que isso poderia mudar significativamente sua vida, visto que, o equipamento que utilizava tinha sido produzido pela própria família e não proporcionava o devido auxílio que ele necessitava.

“Chamamos o Gelson aqui, mais umas duas ou três vezes, para tirar as medidas em relação ao posicionamento do joystick, a altura do chão para que não ficasse tão baixo, mas também não tão alto. E demais medidas que a gente pudesse fazer para que ele ficasse adequado e da forma que gostaria na cadeira de rodas”, relata o fisioterapeuta.

Rafael explica os principais pontos que levaram em conta para a recomendação à Gelson. “No caso do Gelson, tivemos que ir atrás do melhor conforto possível, melhor posicionamento possível. Melhor segurança, para que pudesse, pela primeira vez, depois de 40 anos, se locomover sozinho independentemente. Ele possuía um carrinho que não tinha nada de segurança. Nós, como terapeutas, queríamos colocar grade lateral e cinto para deixá-lo mais seguro. Tudo isso fomos vendo para conseguir posicionar ele de forma a poder se locomover melhor e ficar seguro. A cadeira é toda diferente, foi feita para ele. Na verdade, acho que nenhum outro paciente vai conseguir ter o benefício que ele tem com essa cadeira de rodas. Com certeza, é uma cadeira que ele não pode passar para ninguém. Foi feita, toda, nos moldes dele”.

Para ver como ficou a cadeira de rodas motorizada adaptada para o diagnóstico de Gelson Vargas, acesso o link e veja a reportagem:

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O desenvolvimento da cadeira de rodas motorizada adaptada

O caso de Gelson Vargas chegou especificamente para a Freedom após o contato feito pela a UNISC. Sempre pensando no desenvolvimento de produtos que geram autonomia aos clientes, a empresa começou o processo de produção do equipamento. “Ao ser contatado pela UNISC e apresentados ao caso, como empresa pensamos na situação do Gelson e o quão importante para a vida dele seria uma cadeira de rodas motorizada. Assumimos junto com a Universidade o compromisso de encontrar uma solução para essa pessoa”, relata Márcio Weissheimer, gerente comercial da Freedom Veículos Elétricos Ltda.

Márcio ainda conta como foi dada a mediação para a confecção do produto. “A UNISC nos passou as medidas do paciente e tiramos muitas fotos para que nossos engenheiros pudessem fazer a melhor avaliação e desenvolver um equipamento que apresentasse a solução com melhor funcionalidade para ele”.

Para que a ideia desse certo, a empresa esteve em contato direito com o Serviço de Reabilitação Física da UNISC, juntamente com o profissional fisioterapeuta, para que juntos, o resultado pudesse se dar da melhor forma. “Nosso olhar foi para o Gelson e, através das informações que a UNISC nos passou e discutindo soluções com a equipe de fisioterapeutas dessa Instituição, procuramos atender da maneira mais segura e eficiente para que o Gelson pudesse manter suas atividades e chegar onde necessitava com independência”, esclarece Márcio Weissheimer.

O olhar do profissional da saúde

Chegamos ao ponto principal desse texto. Ter o auxílio de um profissional da saúde, seja médico fisioterapeuta ou terapeuta ocupacional, é fundamental na hora de escolher um equipamento de tecnologia assistiva. É ele que, juntamente com o diagnóstico do paciente, pode recomendar aquilo que melhor se adequará ao caso e ao dia a dia do indivíduo.

O fisioterapeuta Rafael da Silva, ainda nos contou como é pensado o cuidado com o paciente no momento das recomendações. “O cuidado, geralmente, é igual à todos os pacientes, de acordo com a necessidade que cada um tem. A gente sempre vai procurar a melhor qualidade de vida, o melhor posicionamento, o melhor conforto que o paciente está necessitando. A busca é sempre essa”.

Conversamos com a Terapeuta Ocupacional Maria José Alves, para entender como se dá o olhar do profissional da saúde em relação as necessidades dos pacientes e porquê isso é tão importante.

A recomendação adequada de equipamentos assistivos se dá através de inúmeros aspectos. O profissional da saúde, deve, além de saber o disgnóstico do paciente, conhecer a fundo os produtos que recomenda. Só assim, poderá fornecer a orientação que será realmente útil para o usuário. “Hoje, o mercado nacional disponibiliza inúmeros modelos de cadeiras de rodas e cada uma tem sua especificidade e particularidade, principalmente indicação para cada patologia ou usuário. Dessa forma, é de suma importância que o profissional da área de saúde tenha conhecimento destes produtos, assim poderá fazer a prescrição e indicação correta do equipamento a ser adquirido, para que o usuário obtenha o melhor resultado. Ou seja, permanecer por mais tempo sentado na cadeira de rodas em uma postura correta, evitando deformidades e outras complicações decorrentes de um produto inadequado”, esclarece a terapeuta ocupacional.

Além disso, Maria José ainda explica melhor alguns cuidados com os pacientes, em relação às indicações específicas. “Se a cadeira for muito larga, o usuário ficará sobrando na cadeira de rodas e assim adotará posturas viciosas que acarretará em desvios de coluna. Por outro lado, se este usuário toca manualmente a cadeira de rodas, terá dificuldades em alcançar o aro de impulsão. Se o equipamento for muito pequeno e ficar apertado, causará pressão no quadril, podendo desenvolver escaras. Se for curto, a distribuição do peso do corpo também ficará comprometida, sendo a pressão maior na tuberosidade isquiática, causando úlcera por pressão”.

Mesmo dado o diagnóstico do paciente, é preciso que ocorra o acompanhamento frequente do caso e da adaptação com o equipamento assistivo. Se o produto for indicado corretamente, pode haver significativa melhora da lesão do paciente e, dessa forma, o produto estará sujeito a novas adaptações para que siga proporcionando qualidade e benefício ao usuário. Além, é claro, de evitar uma possível estagnação da melhora do indivíduo. “Outro fator importante são os ajustes que a cadeira de rodas oferece. Dependendo da patologia, estes recursos irão prevenir complicações e deformidades. Como por exemplo, em patologias degenerativas, o usuário vai perdendo a capacidade de tocar a própria cadeira ou perde o controle do tronco. Nesses casos, há necessidade de incorporar um encosto maior, um apoio de cabeça ou regular a cadeira para que o centro de gravidade proporcione maior segurança e estabilidade. Se o profissional que atua junto a este usuário, tem o conhecimento da evolução desta doença, no momento da prescrição irá optar por um equipamento que possa atender estas necessidades”, explica Maria José.

Todo cuidado é essencial

A recomendação da cadeira de rodas motorizada adaptada de Gelson Vargas, foi apenas mais um exemplo de que o olhar do profissional da saúde é de extrema importância na hora de realizar a indicação de um equipamento assistivo. E que o cuidado deve estar sempre presente para que seja escolhido o melhor produto possível.

Com a evolução e o desenvolvimento de tecnologias assistivas, é essencial que estes profissionais tenham o conhecimento da tamanha variedade e funcionalidade, assim como os benefícios que pode gerar ao diagnóstico da pessoa com deficiência. Uma indicação adequada ajuda na promoção da saúde, autonomia, socialização e desempenho em atividades do dia a dia e até mesmo profissionais.

Por isso, é importante que o usuário ou quem estiver a par da situação, esteja atento para estes aspectos. Inclusive, opine no momento da escolha e dê suas preferências. Afinal, o equipamento assistivo será como uma extensão do corpo e deverá estar de acordo com o gosto e conforto de quem utilizar.

A presença da indústria nacional no processo da produção de equipamentos personalizados e adaptados para necessidades particulares, também é de extrema importância. Soluções personalizadas só podem ser construídas com o aprimoramento e adequação de produtos que supram necessidades específicas. Esse tipo de desenvolvimento é um elemento chave para a promoção dos direitos humanos e para abertura de um mundo de educação, trabalho e vida social.

Mas para que a transformação seja possível, é preciso que esse trabalho seja feito por indústrias nacionais. As vendas massificadas de produtos importados não conseguem atingir públicos com necessidades específicas. Por isso, é preciso o olhar de quem reconhece a realidade vigente das pessoas com deficiência física.

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