O mercado de trabalho para pessoas com deficiência: como se preparar?

Segundo informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), praticamente 1 a cada 4 brasileiros tem algum tipo de deficiência. Isso faz com que sejam 46 milhões de pessoas, e muitas delas estão em idade economicamente ativa. Assim, tratar do mercado de trabalho para pessoas com deficiência é muito importante.

A cada dia que passa, as empresas vêm se conscientizando da importância de criar vagas para profissionais nessa situação. Ao mesmo tempo, as pessoas com deficiência também se tornam cada vez mais independentes, capacitadas e interessadas em colocações adequadas no mercado de trabalho.

É necessário ter uma boa ideia do panorama atual, de modo a se preparar corretamente. Continue lendo este artigo e veja um pouco mais sobre tudo que permeia esse tema!

1. O mercado de trabalho para pessoas com deficiência

Diante do panorama, o mercado de trabalho vem absorvendo cada vez mais esses profissionais. Em 2015, houve um aumento de quase 6% em relação ao número de vagas ocupadas por pessoas com deficiência. Em cinco anos, o aumento foi de 20%.

No mesmo ano, esse mercado era formado por mais de 400 mil pessoas, o que corresponde a 0,8% do total. Isso mostra uma evolução, já que a média em anos anteriores era de 0,7%.

Sendo assim, a participação no mercado vem aumentando de maneira considerável e importante para toda a sociedade. Para o futuro, a expectativa é que o número continue se elevando.

Alguns motivos que levam a essa evolução são:

1.2. Leis de incentivo

Visando a garantir a participação desses profissionais no mercado de trabalho, há dispositivos legais que tratam dessa contratação.

Isso garante o aumento da participação dessas pessoas no mercado de trabalho, incentivando empresas de diversos tamanhos e setores a contar com esses profissionais. Isso estimula a criação de vagas diversas e favorece o acesso às diferentes oportunidades que surgem.

2. O que dizem as leis

Por falar nisso, os dispositivos legais merecem especial atenção em relação ao mercado de trabalho para pessoas com deficiência.

Nesse sentido, há duas leis importantes: a que estabelece as cotas para profissionais com essas características — e que é antiga — e o Estatuto da Pessoa com Deficiência, mais recente e abrangente sobre diversas questões.

É obrigação dos empregadores conhecer ambas de maneira aprofundada, já que o cumprimento é obrigatório. Assim, suas principais características incluem:

2.1. Lei das Cotas

A Lei n° 8.213/91, também conhecida como a Lei das Cotas, é um dispositivo legal que trata de benefícios sociais e, também, de vagas reservadas para indivíduos, especialmente as pessoas com deficiência.

Uma das redações mais importantes dessa lei trata da questão de quantidade de vagas que deve ser destinada. Empresas com até 200 empregados precisam preencher, no mínimo, 2% das vagas, ou seja, contratar 4 pessoas com deficiência.

De 201 a 500 empregados, o percentual é de 3%. De 501 a 1 mil, de 4%. A partir de 1 mil, é de 5%.

Essa redação é importante para determinar que toda empresa, grande ou pequena e de qualquer setor, conte com vagas voltadas para esses profissionais.

Empresas que descumpram essas disposições podem ter suspensos os financiamentos e empréstimos junto a órgãos oficiais, além de se tornarem inaptas para a licitação. Os incentivos fiscais são suspensos e há uma multa em dinheiro que é fixada de acordo com a gravidade do problema.

A fiscalização é realizada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), por meio de auditores desse órgão. A análise de dados do emprego e as visitas aos empregadores garantem que tudo seja cumprido como o esperado.

Para o futuro, é esperado que essa tarefa se torne intensificada, de modo a garantir a criação de todos os postos de trabalho propostos por essa lei.

2.2. Estatuto da Pessoa com Deficiência

A Lei n° 13.416/15 ou Estatuto da Pessoa com Deficiência não é diretamente voltada para o trabalho em si, mas é muito importante para garantir dignidade e qualidade de vida para quem tem alguma deficiência.

Dentre outras coisas, ela trata dos direitos e deveres de cidadãos com deficiência e estabelece o que pode ser considerado um comportamento discriminatório.

O capítulo VI trata do direito ao trabalho e, dentre outras coisas, sobre haver um ambiente inclusivo e acessível, além da capacitação. Também fala sobre questões como a integração ao ambiente e o auxílio para superar barreiras.

Quanto à discriminação, afirma não ser permitido vetar trabalho ou promoção a uma pessoa com deficiência em razão desse fato. Não é possível, por exemplo, demitir ou deixar de contratar alguém simplesmente por causa de sua deficiência. Em caso de ação contrária, a punição pode ser reclusão de 2 a 5 anos e multa compatível.

3. Seleção especializada

Para incluir pessoas com deficiência no mercado de trabalho, é necessário realizar um processo seletivo específico. O recrutamento não deve ser igual ao que é realizado tradicionalmente, já que a inclusão exige vencer alguns desafios, inclusive logo nessa etapa inicial.

Para tanto, é fundamental considerar a seleção especializada em todo esse tema. Alguns fatores mais importantes são:

3.1. Contratação de empresa especializada

Tudo começa com a escolha de empresas de recrutamento e seleção de profissionais que sejam especializadas na contratação de pessoas com deficiência. Hoje, não é difícil encontrar organizações que desenhem todo o processo levando em consideração essas necessidades específicas.

Ainda que a área de seleção da empresa seja adequada, é mais vantajoso fazer essa contratação especializada. Mesmo que a empresa apenas atue de maneira consultiva ao setor interno, essa é uma forma de melhorar a curva de aprendizado sobre esse tipo de contratação.

É graças a essa preocupação que é possível, por exemplo, desenhar um processo que demore o tempo adequado, considerando as necessidades específicas. Fazer um processo muito longo e com deslocamentos em excesso, por exemplo, pode prejudicar quem tem mobilidade comprometida.

Assim, a empresa especializada consegue elaborar uma seleção que seja consistente, mas sem prejudicar os candidatos.

3.2. Levantamento de competências

Durante a entrevista em si, é necessário fazer um levantamento de competências por parte de quem deseja se tornar colaborador da empresa. Com as pessoas com deficiência, isso precisa ser feito de maneira mais trabalhada e específica, para que o perfil seja correto e leve em consideração o que cada um tem de melhor.

Por meio de testes psicológicos, cases e técnicas desenhadas sob medida, é possível compreender com bastante precisão qual é a capacidade e quais são os interesses de cada profissional.

Essa é uma forma de ir além apenas do currículo, de modo a garantir que a avaliação seja realmente adequada e beneficie ambas as partes.

3.3. Identificação de necessidades

Além disso, a seleção especializada também precisa colaborar para a identificação de necessidades desses profissionais. É nesse momento que devem ser conhecidas questões como as necessidades de aprimoramento e qualificação, por exemplo.

Também se pode tratar de uma questão física, como a exigência de mais acessibilidade em um determinado espaço ou de estratégias diferenciadas de integração.

Essa é uma parte crucial, porque qualquer profissional, com deficiência ou não, tem necessidades que devem ser trabalhadas e atendidas. Executando uma seleção especializada e personalizada, é mais fácil identificar quais são as questões que devem ser trabalhadas com atenção.

3.4. Emprego da tecnologia

Dependendo do caso, é possível empregar a tecnologia para essa tarefa de escolha dos profissionais que mais se encaixem no perfil desejado. Fazer seleções a distância, como por videoconferência, é uma forma de garantir conveniência e menos despesas para todos os envolvidos.

Realizar testes e avaliações de perfil comportamental com plataformas de análise de dados, por sua vez, garante uma visão completa a respeito do profissional, facilitando todo o processo.

Porém, nada disso substitui a atuação de profissionais especializados no recrutamento, de modo que seja possível realizar a melhor escolha para todos os envolvidos.

4. A acessibilidade

Uma das questões importantes para a pessoa com deficiência é a acessibilidade. Poder se deslocar corretamente e, principalmente, da maneira mais autônoma possível é fundamental para que o colaborador consiga se manter motivado e engajado, oferecendo o melhor resultado possível para a empresa.

Na hora de incluir os profissionais no ambiente de trabalho, portanto, é preciso considerar a necessidade de investir corretamente na questão da acessibilidade. Nesse sentido, alguns pontos que merecem destaque são:

4.1. Busca por segurança

É indispensável que haja uma busca pela segurança da pessoa com deficiência. Não dá para criar modificações que se tornem inseguras ou que não levem em consideração as necessidades específicas dessas pessoas.

O uso de um corrimão adequado para o deslocamento interno de pessoas com deficiência, por exemplo, ajuda no senso de direcionamento e evita problemas.

É necessário pensar em todas as questões que merecem atenção, de modo a evitar que haja algum tipo de risco para esses profissionais.

4.2. Mudança de cultura

Uma das questões da acessibilidade no mercado de trabalho para pessoas com deficiência diz respeito à questão atitudinal. Ou seja, a forma como as pessoas agem dentro de uma organização pode tornar um ambiente acessível ou não.

Se as pessoas de um negócio não estão preparadas para receber pessoas com deficiência, o resultado é uma barreira a mais.

Para vencê-la, é fundamental implementar uma mudança de cultura e mentalidade. É necessário que todos saibam o valor do profissional com deficiência e que compreendam que ele é capaz de realizar as ações para as quais foi contratado.

Ao mesmo tempo, todos devem trabalhar para a integração, especialmente porque se trata de um colaborador novo dentro da empresa. No geral, todos devem agir sem preconceitos ou ressalvas, tratando os profissionais com equidade e longe de estereótipos e de estigmatizações.

5. A inclusão

Além de favorecer a acessibilidade em si, também é necessário investir em garantir a total inclusão ao ambiente de trabalho e às funções, de maneira geral.

Isso garante que o profissional se engaje intensamente e ofereça mais resultados. Além de tudo, vai favorecer a própria atuação.

Para conquistar esse tipo de resultado, é necessário levar em consideração os seguintes elementos:

5.1. Alinhamento de expectativas

Profissionais que sabem o que é esperado deles tendem a trabalhar melhor — e com as pessoas com deficiência isso não é diferente. Por isso, tudo deve começar com um alinhamento das expectativas de atuação.

É necessário que o novo colaborador saiba exatamente quais ações são esperadas da sua atuação, quais resultados ele deve alcançar e qual é o seu papel em relação a toda a organização.

A intenção deve ser sempre mostrar que o trabalho dele é importante para o negócio e para o resultado de outras pessoas, de modo que o profissional se sinta estimulado a atuar de maneira cada vez melhor.

5.2. Capacitação e profissionalização

Outra questão fundamental é oferecer a capacitação e profissionalização para as pessoas contratadas nessa situação. Isso não se deve à questão da deficiência em si, mas, sim, pelo fato de que qualquer funcionário precisa ser capacitado para atender a necessidades cada vez mais específicas do negócio.

Sendo assim, oferecer novas possibilidades de buscar conhecimento é importante. Além de realizar treinamentos no próprio ambiente de trabalho, é possível investir em capacitações distância, fazendo uso da internet.s.

5.3. Realização de avaliações

A oferta de feedback é fundamental para a atuação de qualquer funcionário. Ela garante um melhor direcionamento de atuação, além de também funcionar como ferramenta de reconhecimento e valorização.

Com os profissionais com deficiência, isso não é diferente. Para garantir a total integração, vale a pena realizar avaliações de desempenho e fazer um acompanhamento de resultados. A partir disso, é possível oferecer direcionamento e, eventualmente, promoções e oportunidades cada vez melhores.

6. O caminho para o sucesso

Para pessoas com deficiência chegarem ao êxito no mercado de trabalho, devem agir segundo algumas questões que podem levar diretamente para os efeitos desejados.

É a partir delas que o caminho até o sucesso fica mais simples de ser seguido, de modo a garantir uma atuação positiva e vantajosa. Para tanto, considere colocar em prática as seguintes ações:

6.1. Desenvolva habilidades sociais

Ter dificuldade de locomoção, por exemplo, não precisa e nem deve significar isolamento — ainda mais no ambiente de trabalho. Em vez disso, você deve buscar desenvolver as suas habilidades de relacionamento não só com colegas, mas todos. Tornar-se comunicativo, analítico e capaz de transmitir corretamente suas ideias é uma forma de se destacar no ambiente profissional.

Ao investir nisso, você conseguirá favorecer ainda mais a sua integração ao ambiente, de modo a gerar uma atuação mais satisfatória.

Ao colocar em prática todos esses conhecimentos, fazer parte do mercado de trabalho para pessoas com deficiência se torna uma tarefa menos complicada. Agora que você já sabe como fazer, que tal ajudar outras pessoas? Compartilhe este post nas suas redes sociais e deixe mais gente por dentro do tema!

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