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Basquete para cadeirantes

Basquete para Cadeirantes: Conheça as Regras e Saiba Como Jogar

O basquete em cadeira de rodas é uma adaptação do basquete para pessoas com deficiência nos membros inferiores. É um dos esportes paraolímpicos mais conhecidos e mais antigos na competição.

Ele surgiu em 1945, como uma alternativa para soldados americanos feridos em batalha durante a Segunda Guerra Mundial e foi um grande auxiliador na reabilitação dos soldados norte-americanos.

Também foi um dos poucos esportes a estarem presentes em todas as edições dos jogos paraolímpicos realizados até hoje, se consagrando como um dos esportes favoritos na competição.

O jogo, bem como suas regras, dimensões da quadra e da bola são bastante semelhantes ao do basquete não adaptado, sofrendo apenas algumas adaptações por conta do uso da cadeira de rodas. 

Para saber mais sobre as diferenças entre as versões adaptada e não adaptada, o seu histórico nos jogos Paraolímpicos e curiosidades sobre o esporte, continue a leitura!

Basquete para cadeirantes: conheça a história por trás do esporte

Acredita-se que o basquetebol em cadeira de rodas foi criado por veteranos de guerra em 1945 (fim da Segunda Guerra Mundial). Porém não existem registros que confirmem a data. O primeiro registro histórico de uma partida só é encontrado no ano seguinte, em 1946.

Durante esse mesmo período, a modalidade passou a ser usada como prática esportiva terapêutica no Reino Unido, como parte da reabilitação dos traumas causados pela Segunda Guerra em soldados. 

Um dos primeiros centros de reabilitação a utilizar o basquete em cadeira de rodas como parte do processo de reabilitação dos lesionados foi o Centro de Lesados Medulares do Hospital Stoke Mandeville, em Buckinghamshire, Inglaterra.

basquete para deficientes
Cadeirante fazendo manobra em cadeira de rodas.

Responsável pelo centro de lesões medulares, o Doutor Ludwig Guttmann introduziu o basquete para cadeirantes entre os esportes praticados no programa de reabilitação do Hospital Stoke Mandeville e comprovou a eficácia da prática do esporte no tratamento dos seus pacientes. 

A prática ganhou tanta visibilidade que passou a ser utilizada não somente em lesões medulares, mas em diversos outros casos, como em pacientes com poliomielite, amputações ou até lesões medulares não adquiridas na guerra. 

O resultado se mostrou muito positivo, não só pela melhora física, mas também psicológica dos pacientes. O esporte não só ajudava na adaptação à cadeira de rodas e na melhora muscular dos pacientes, como também proporciona aos praticantes uma melhora significativa no humor e na autoestima.

O vinda do esporte para o Brasil

No Brasil, a prática do basquete para cadeirantes surgiu em 1958, trazidos por Sérgio Del Grande e Robson Sampaio. Ambos trouxeram o esporte ao país depois de retornarem de um programa de reabilitação nos Estados Unidos.

As primeiras cidades a conhecerem a modalidade foram São Paulo e Rio de Janeiro. A prática foi tão bem recebida que, no mesmo ano, Robson Sampaio fundou o Clube do Otimismo no Rio de Janeiro, e na mesma época Sérgio Del Grande fundou em São Paulo o Clube dos Paraplégicos.

Os clubes foram os primeiros lugares em que o esporte foi praticado no país e a primeira competição de basquete para cadeirantes foi realizada em 1960, entre os dois clubes, no Ginásio do Maracanãzinho, no Rio de Janeiro. Na primeira partida, os paulistas saíram vencedores. 

Nos anos seguintes, o esporte foi se popularizando e ganhando força no país, até que 14 anos depois da sua chegada ao Brasil, em 1972, uma equipe brasileira participou dos jogos paraolímpicos na modalidade.

Brasil nas Paraolimpíadas

Depois de sua primeira participação nas Paraolimpíadas, em 1972 na cidade Heidelberg, na Alemanha, a participação brasileira na categoria masculina passou a ser efetiva na competição. Já a seleção feminina de basquete para cadeirantes só fez a sua estreia em 1996, nos jogos de Atlanta. 

Desde a sua estreia, em 1972, o Brasil conseguiu classificação para as 4 competições seguintes (1972, 1976, 1980 e 1984) e depois ficou 16 anos sem competir pelo esporte em Paralimpíadas ( 1988, 1992, 1996 e 2000). 

Já em 2004, a seleção masculina de basquete para cadeirantes voltou a se classificar para a competição e desde então participou de todas as edições seguintes, até 2020, onde a seleção foi eliminada nas classificatórias e ficou de fora das Paralimpíadas de Tóquio.

basquete para pessoas com deficiência
Jogares de Basquete em Cadeira de Rodas.

Ao todo, foram 8 Paralimpíadas disputadas pelos brasileiros na modalidade. Porém, o Brasil ainda está em busca da sua primeira medalha. Até hoje, nenhuma equipe brasileira subiu ao pódio na modalidade, desde o início de sua participação nos jogos. 

Benefícios da prática do Basquete para pessoas com deficiência:

A prática esportiva traz diversos benefícios para a saúde. Melhora a saúde não só física, mas também a saúde mental e emocional dos seus praticantes. Além dos benefícios para o corpo e para a mente, a prática do basquete pode trazer mais liberdade e independência para os jogadores.

basquete em cadeira de rodas

Além de promover a socialização dos atletas, por ser um esporte de grupo. Para crianças e jovens, a prática do basquete em cadeira de rodas, se executada nas aulas de educação física, pode promover a integração do aluno à turma, bem como se torna também um exercício de empatia para os demais colegas.

De acordo com o Manual de Orientação para Professores de Educação Física, criado pelo Comitê Olímpico Brasileiro, em 2013, alguns benefícios da prática regular desde esporte são:

Benefícios físicos:

  • Agilidade 
  • Força 
  • Equilíbrio 
  • Coordenação 
  • Ritmo 
  • Flexibilidade 
  • Capacidades cardiorrespiratórias (aeróbia e anaeróbia)

Benefícios cognitivos:

  • Raciocínio 
  • Atenção 
  • Melhora a percepção espaço-temporal 
  • Aumenta o poder de concentração

Benefícios emocionais: 

  • Socialização 
  • Espírito de luta 
  • Controle da ansiedade 
  • Auto-estima

Sobre o jogo:

O jogo é dividido em quatro tempos de 10 minutos cada e vence o time que realizar mais pontos nos quatro tempos. A pontuação é marcada quando a bola é arremessada para dentro da cesta adversária. 

É  importante dizer que a contagem dos pontos varia de acordo com a posição do jogador na hora do lance. Os arremessos mais distantes da cesta, fora da linha indicada na quadra (chamada de linha de três pontos), valem 3 pontos, já os arremessos feitos de dentro da linha, valem 2 pontos e arremessos de lance livre, valem 1 ponto. 

Jogadores

O basquete para cadeirantes possui regras semelhantes ao seu esporte originário. O time é formado por 5 jogadores. Porém, a seleção da equipe no BCD é realizada de acordo com a classificação do tipo de lesão dos jogadores. 

Cada atleta é classificado de acordo com o nível de comprometimento da sua lesão. A escala segue os números 1, 2, 3, 4 e 4,5. E em casos limítrofes (que ficam entre uma classe e outra) foram criadas 4 classes intermediárias: 1,5 – 2,5 e 3,5. 

Quanto maior o comprometimento, menor a classe do atleta. Cada time tem uma pontuação máxima de 14 pontos (que são contados de acordo com a classe de cada jogador)  para classificar montar o seu time.

Funções de cada jogador

Cada atleta possui uma função específica no time,  Sendo elas:

  1. Armador: Responsável por organizar as jogadas em quadra e criar chances para o time. 
  2. Ala/armador: Ele é responsável por auxiliar o armador nas jogadas, além arremessar bolas mais longas ou de criar oportunidades de arremesso .
  3. Ala: Sua função principal no ataque é pontuar, tanto dentro do garrafão, quanto em cestas mais distantes da linha de 3 pontos.
  4. Ala/pivô: Este jogador normalmente é o que fica mais próximo do garrafão, sua função é pegar rebotes, bloquear arremessos e fazer arremessos de perto da cesta.
  5. Pivô: Geralmente é o maior e mais forte jogador da equipe, ele atua principalmente na defesa, bloqueando o ataque adversário e tentando rebotes.

A quadra

Quadra de basquete.

O esporte pode ser praticado tanto em quadras fechadas, como em quadras ao ar livre e as dimensões da quadra são as mesmas do basquete não adaptado, com 28 metros de comprimento, por 15 metros de largura e a tabela (onde é colocada a cesta) tem a distância de 3,05 metros de altura em relação ao solo.

A quadra do basquete possui algumas linhas de marcações importantes, sendo elas:

  • Linhas laterais: Marcam os limites da quadra.
  • Linha central: Marca o meio da quadra.
  • Círculo central: linha circular localizada no centro da linha central, é nele onde o jogo começa.
  • Linha de 3 pontos: Linha circular localizada a 6,75 metros de cada cesta. Jogadores que arremessam fora desta linha, marcam cestas de 3 pontos.
  • Linha de lance livre: Círculo na extremidade da linha de 3 pontos. É usada por jogadores que fazem arremessos livres.

Equipamentos

  • A bola: Possui a mesma dimensão das bolas oficiais, a bola para jogos masculinos tem 74,9 centímetros de circunferência e pesa cerca de 623 gramas, enquanto a feminina possui circunferência de 72,3 centímetros e pesa 566 gramas.
basquete para cadeirantes
Jogador segurando uma bola de basquete.

A cesta: A cesta de basquete é composta por um aro fixo em uma tabela. O aro em que a bola é arremessada possui 45 centímetros de diâmetro e a tabela em que o aro é fixado possui 1,5 metros de largura por 1,80 metros de comprimento e é colocada a uma distância de 3,5 metros de distância em relação ao solo. 

A cadeira:

As cadeiras de rodas utilizadas no basquete para cadeirantes possuem algumas especificações importantes. As cadeiras podem ter 3 ou 4 rodas, sendo duas rodas grandes traseiras e uma ou duas rodas dianteiras. O diâmetro das rodas traseiras não deve ultrapassar 66 centímetros e deve haver aro de propulsão nas duas rodas traseiras.

Seu encosto deve ser mais baixo, para facilitar a locomoção. É  permitido o uso de almofadas na cadeira, para lesões mais graves, as almofadas podem ter até 10 centímetros de espessura, enquanto para lesões mais leves, a espessura permitida é de até 5 centímetros.

As cadeiras devem ser feitas sob medida para os atletas, para que não fiquem grandes ou pequenas demais, dificultando assim a mobilidade dos jogadores em quadra. Os jogadores também podem usar cintas ou faixas para prender as pernas juntas, caso assim desejarem. Também é permitido o uso de aparelhos ortopédicos ou protéticos.

Todas as adaptações na cadeira de rodas do atleta ou até mesmo a sinalização de que ele utiliza próteses devem ser apontadas no cartão de classificação do jogador. As cadeiras são checadas momentos antes da partida pelos árbitros para verificar irregularidades.

Cadeiras que utilizam pneus pretos, aparelhos de direção ou freios são proibidas nas partidas oficiais, sendo passíveis de exclusão do equipamento e do jogador da partida.

Brasil nas competições

Ainda que o BCR seja um esporte muito popular e até tradicional no país, as seleções feminina e masculina ainda não conseguiram subir no pódium paraolímpico desde que o esporte fez a sua estreia na competição, em 1972.

As melhores colocações do Brasil até hoje na modalidade em jogos paralímpicos foi o 6° lugar na categoria masculina e 7° na categoria feminina. Entretanto, a seleção feminina já conquistou duas medalhas de bronze em competições para-panamericanas, a primeira em Guadalajara em 2011 e a segunda em Toronto nos jogos de 2015.

Nas Paraolimpíadas de Tóquio, o Brasil não conseguiu a tão sonhada classificação em nenhuma das categorias (feminina e masculina). As seleções foram eliminadas ainda nas classificatórias. 

Outros eventos em que o Brasil participa 

Mesmo ficando de fora das Paraolimpíadas, as seleções brasileiras de basquete para cadeirantes ainda participa em outros eventos internacionais importantes: 

  • Mundial 
  • Torneios Continentais: Copa América
  • Parapan-americano 
  • Sul-americano (Clubes) 

Além dos eventos internacionais, alguns dos torneios nacionais importantes são: 

  • Regionais (Nordeste, Sul, Leste, Centro-Oeste, São Paulo). São eventos abertos à participação de todos os clubes filiados à CBBC, sendo classificatórios para o campeonato brasileiro da terceira divisão. 
  • Brasileiro (Atualmente o Brasil possui três divisões, com 12 equipes , mais o campeonato feminino).

Paraolimpíadas da França 2024: A primeira vez em que o Basquete pode ficar de fora.

Em 2020 o Comitê Paralímpico Internacional (IPC) anunciou que o Basquete ficaria de fora dos jogos da França em 2024 por conta de uma inconformidade na classificação funcional dos atletas. 

O IPC declarou à imprensa que notificou a Federação Internacional de Basquete em Cadeira de Rodas (IWBF), que é a autoridade máxima do esporte no mundo (mas que ainda sim, responde ao Comitê Paraolímpicos Internacional), de que a instituição não atendia aos requisitos técnicos de classificação funcional dos atletas e que ela deveria se adequar às exigências.

Em declaração à revista Veja, o presidente do Conselho de Atletas, Chesley Gotell, criticou a postura da Federação e disse que os atletas devem respeitar as regras para competir. “A IWBF joga por seu próprio livro de regras, que têm potencial para permitir que atletas com deficiências não qualificadas participem dos Jogos. Eles são a única federação que não possui um modelo de representação dos atletas, o que dificulta a situação deles para se esclarecer sobre o assunto” 

Caso a IWBF não se adeque às exigências do Comitê Paraolímpico, a modalidade pode ficar fora dos jogos pela primeira vez desde o surgimento da competição em 1960.

E ai, você já conhecia a modalidade ou já pensou em praticar o BCR? Conta pra gente aqui nos comentários! 

E para saber mais sobre outras modalidades paraolímpicas dos Jogos de Tóquio 2021, basta continuar navegando por aqui! No nosso Blog você confere tudo sobre as principais modalidades paraolímpicas e muito mais 🙂

Conheça mais esportes adaptados para pessoas com deficiência.

Por Hillary Orestes.

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