Quebrando tabus: Pessoas com deficiência também têm relacionamentos

Relacionamento para pessoas com deficiência é um assunto que geralmente desperta curiosidade. Isso porque muitos indivíduos carregam a tendência de deslumbramento diante de algo que ocorre fora da linha considerada como padrão.

É comum que paraplégicos, tetraplégicos e pessoas que tiveram alguma lesão que impossibilite o caminhar escutem perguntas acerca de como é que se desenvolvem os romances em suas vidas.

Por romance, você pode entender tudo que diz respeito a um relacionamento, tanto em relação à adaptação no dia a dia, quanto à própria questão sexual. Adiantamos: ter uma limitação física não é sinônimo de impotência sexual. Antes, a limitação serve como porta de entrada para o descobrimento de diversos pontos de prazer, além dos “habituais”. Interessante? Então continue lendo.

O relacionamento para pessoas com deficiência ainda é tratado como tabu

Engana-se quem pensa que alguém que teve uma lesão que atinge os membros inferiores é incapaz de sentir prazer ou ter uma vida sexual ativa. Não poder andar de forma nenhuma, não pode ser sinônimo de não ter mobilidade – inclusive na cama.

Um dos motivos para afirmar isso é o desenvolvimento constante de tecnologias assistivas que pensam cada vez mais na autonomia e na independência. Como o caso das cadeiras de rodas, de acordo com a gravidade da lesão, algumas pessoas adaptam-se com menos dificuldades aos equipamentos, ou preferem conforto e mais agilidade com cadeiras de rodas motorizadas, por exemplo.

Assim como no dia a dia, para manter um relacionamento saudável é preciso considerar a singularidade de cada condição e identificar as limitações, para justamente poder usá-las a seu favor.

6 mitos acerca do relacionamento para pessoas com deficiência

1. Homens paraplégicos ou tetraplégicos não têm ereção

Antes de qualquer coisa, precisamos dizer que — apesar do que pregam os machistas — ter ereções não é o maior sinal de virilidade ou masculinidade existente. Sexo tem muito mais a ver com conexão, entrosamento e, fundamentalmente, prazer do que com o uso de um órgão ou outro.

Dito isto, vamos esclarecer o mito: homens paraplégicos ou tetraplégicos podem, sim, ter ereções, bem como ejacular e ter filhos. A ereção e ejaculação ou a ausência delas vai depender, mais uma vez, do nível da lesão. Ainda assim, outros fatores podem ser considerados, já que a sensibilidade no local pode ser diminuída ou inexistente.

A dica é a seguinte: descobrir o seu corpo. Quando o assunto é relação física, estamos o tempo todo ligados à questão do tato, sendo que o nosso corpo é feito de diversas memórias vindas de todos os nossos sentidos. Uma vez que a questão sensitiva é comprometida, abre-se uma nova visão acerca do erotismo. Imagens, sons, sabores, cheiros e tudo mais que você puder sentir e imaginar podem (e devem) ser explorados.

2. Mulheres que sofreram lesão permanente não podem ser mães

É certo que, geralmente, logo após acontecer a lesão, o ciclo menstrual fica comprometido, retornando meses depois. Mas isso não quer dizer que a lesão torna as mulheres inférteis ou frígidas. Ainda dependendo do nível da lesão sofrida pela mulher, a intenção sexual — apesar de não ser anunciado de forma tão visível quanto a dos homens — ficará a cargo do conjunto sensorial.

É importante abrir-se para se conhecer novamente. A ansiedade é comum, pois tudo que é novo dá um certo frio na barriga, mas o importante é que atos naturais, como são os relacionamentos em geral e o sexo, não sejam estagnados por conta de teorias errôneas acerca de limitações físicas. A única coisa certa é: o seu corpo vai te conduzir ao prazer, independentemente da condição na qual se encontrar.

3. O relacionamento com pessoas com deficiência tende a ser defasado

Assim como qualquer relacionamento, a palavra da vez aqui é adaptação. É errado dizer que, por ter uma limitação física, a pessoa tem menos condições de manter uma relação saudável. A dificuldade encontrada é justamente entender-se como alguém capaz de ser feliz em todos os quesitos da vida, incluindo o amor.

A aceitação é o passo primordial. Vai existir insegurança, timidez e hesitação (todos nós somos assim quando experimentamos coisas novas), mas isso não deve ser uma placa de “Pare”. Relacionar-se com pessoas é sempre um pouco complicado, e disso nenhum de nós está a salvo. A questão do relacionamento para pessoas com deficiência é a visão aberta desse laço e de como a vida segue uma vez que ele é firmado.

4. Pessoas com deficiência são dependentes

Num relacionamento, buscamos alguém complementar, para estar ao lado, e nunca atrás ou na frente, muito menos em cima ou embaixo. Existem muitas pessoas com deficiência que moram sozinhas e mantêm suas vidas, sem necessidade de qualquer relação parental ou de cuidado.

Se você pensa que pessoas com deficiência são dependentes, é hora de rever os seus conceitos. Todo mundo precisa de ajuda, não importando suas condições físicas, mas isso não necessariamente estabelece relação de dependência.

A qualidade de parceria, companheirismo, cumplicidade, entre tantas outras buscadas num par, não são refletidas pela capacidade de andar ou não. Isso se dá por meio de uma construção sólida de confiança, amizade, desejo, etc.

5. Estimulantes sexuais não ajudam

Estimulantes sexuais ajudam, sim. A conhecida pílula azul pode dar uma grande ajuda à natureza. Dependendo da gravidade da lesão, a ereção pode durar menos, e a ejaculação, ser menos forte, por isso, o uso de estimulantes sexuais é altamente recomendado para dar aquela potência.

Mas antes de consumi-las, é imprescindível a ida ao médico para rever possíveis comprometimentos cardíacos associados a lesão.

6. Não é possível variar as posições sexuais

Uma limitação física não justifica a monotonia. Existe um kama sutra feito exclusivamente para quem não tem o movimento das pernas e usa cadeira de rodas manual ou cadeira de rodas motorizada. Pode variar as posições e, é claro, fazer tudo o que tiver vontade. Se houver dúvida sobre algo e quiser saber se pode ou não fazer, é recomendável que converse com o fisiatra, médico especializado que vai poder explicar tudo acerca de comportamento sexual de pessoas lesionadas.

O aprendizado constante é o caminho para ser feliz

A nossa vida é um eterno aprendizado. Cabe a você desenvolver isso em seu interior e externar, caso queira ser mais apto às mudanças oportunas e, consequentemente, ter uma vida melhor em diversos âmbitos. O relacionamento para pessoas com deficiência não é nenhum bicho de sete cabeças, como estigmatizam. Vale o respeito, o companheirismo, a adaptação, o desejo e, é claro, a felicidade.

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