Inclusão da pessoa com deficiência pela música

Você sabia que ter algum tipo de contato com a música é importante para a promoção da nossa saúde? Ela nos influencia positivamente no âmbito social e cultural, assim como na medida em que se relaciona com estruturas psicofísicas.

A música pode contribuir no desenvolvimento emocional e na integração social humana, no sentido que, como uma forma de arte, interage com as funções do corpo trazendo inúmeros benefícios.

Para pessoas com deficiência, além do lazer proporcionado, a música é usada também para a comunicação, integração, identificação e ampliação dos limites físicos e mentais. Além disso, pode ser usada como instrumento da medicina que estimula a expansão cognitiva, psicomotora, afetiva e educacional.

Continue a leitura e entenda mais sobre os benefícios da música para a inclusão das pessoas com deficiência!

Música, habilidade e inclusão

Seja escutando, sentindo ou praticando, é possível que todos absorvemos e ativemos o sensorial. Dessa forma, é possível desenvolver o tônus muscular e a coordenação psicomotora, quando estimulados com atividades que utilizam do movimento associado a música.

Através dos sons e suas vibrações, é possível desenvolver a capacidade auditiva e intelectual da pessoa com deficiência, fazendo com que desenvolva a linguagem, a memória e seu lado afetivo. Como resultado final, a música ainda pode estimular a interação social, quando são praticadas atividades musicais como meio de fazer com que a pessoa tenha um melhor relacionamento com os outros e, dessa forma, prevenindo um possível isolamento.

Com a música, é possível testar as habilidades da pessoa com deficiência, assim como estimulá-las a ter esse contato. Um bom começo para isso é dentro da escola que, com a promulgação da Lei nº 11,769/2008, tornou-se disciplina obrigatória nas instituições de ensino brasileiras de educação básica.

Nos documentos oficiais dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) e nos Referenciais Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (RCNEI), é dado como objetivo o desenvolvimento das capacidades de ordem cognitiva, física, afetiva, de relação interpessoal, de inserção social, ética e estética, com intuito da formação global dos estudantes, através da música.

Dessa forma, é possível buscar alternativas de aprendizagem e incluir o envolvimento da pessoa com deficiência na música e como um todo em sala de aula e com os demais colegas.

Musicoterapia: saúde e interação

Outro aspecto interessante envolvendo a música, é sua utilização como meio de terapia. Sabemos da importância e como é essencial os tratamentos geridos pela fisioterapia e pela terapia ocupacional, para a recuperação de pessoas com deficiência. Outra forma benéfica de auxiliar essa reabilitação, é buscando pela musicoterapia.

A musicoterapia é exercida por um músico capacitado na área de saúde, que utiliza a música e seus elementos para promover a comunicação, o relacionamento, aprendizado, mobilização, expressão e organização, com o resultado no prazer, na motivação, na descoberta, na superação e na interação do paciente assistido.

Dentre os métodos utilizados nesse tipo de terapia, está o simples ato de escutar ou sentir o som, assim como interagir tocando, realizando os comandos ouvidos e cantando, por exemplo . Dessa forma, é possível progredir nos aspectos físicos e mentais de crianças, adolescentes, adultos e idosos que sofrem com estresse, problemas de saúde, deficiências, dificuldade de fala, Alzheimer, doenças cardiopulmonares, câncer, lesões cerebrais, dentre outras.

Com a musicoterapia, é possível incentivar e envolver o paciente de forma criativa e expressiva, melhorando seus funcionamento, bem-estar e possibilitando uma melhor qualidade de vida. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), com a reabilitação é possível o alcance do nível físico, mental e social da pessoa com deficiência, podendo ela mudar de vida. Para isso, o profissional trabalha com a capacidade da pessoa com deficiência e não com sua dada limitação.

A musicoterapia pode ser encontrada em clínicas, hospitais, hospitais psiquiátricos, instalações para reabilitação, centros de tratamento, centros de idosos, centros de creche, escolas, instituições de saúde privada, dentre outros.

Praticando a música

Assim como já falamos, sabemos que o contato com a música pode ser dado de inúmeras formas e seus benefícios são importantes para melhorar a inclusão e a qualidade de vida das pessoas com deficiência.

Com a evolução da tecnologia, muitos instrumentos musicais podem ser adaptados para que pessoas com alguma dificuldade motora possam desenvolver técnicas para tocar. Na maioria das vezes, é preciso implantar instruções metodológicas tanto para a pessoa que ensina e auxilia, se for o caso, como para quem vai praticar o uso do instrumento.

Nesse sentido, existem alguns equipamentos musicais adaptados para serem utilizados por quem possui deficiência ou dificuldade motora. Há teclados eletrônicos modificados com teclas ampliadas, para que, mesmo com as mãos fechadas, por exemplo, o indivíduo possa fazer uma criação musical. É uma boa alternativa para pessoas que não possuem um dos braços ou que tenham dificuldade de segurar ou manipular o instrumento.

Também existem triângulos e outros instrumentos de percussão, com suportes que facilitam o uso das baquetas para pessoas que ficam sentadas.

Ainda podem ser encontrados softwares que possibilitam o acesso ao computador e adaptações de teclado e mouse, que são associados à programas musicais para que, dessa forma, o contato com a escrita e a criação musical possa ser realizada.

Inspire-se

Assim como os instrumentos musicais podem ser adaptados, muitas vezes a pessoa com deficiência é que utiliza de técnicas e adaptações próprias para conseguir tocar. De uma maneira ou de outra, é sempre de grande importância ter o contato com alguma atividade que promova a qualidade de vida, e a música é uma forma de descobrir a si mesmo e testar as próprias habilidades.

Como o caso da artista Gaelynn Lea. Ela é cantora e violinista de Duluth, uma cidade do estado Minnesota, no norte dos Estados Unidos.

Gaelynn Lea nasceu com osteogênese imperfeita, uma doença hereditária caracterizada pela fragilidade dos ossos que quebram com muita facilidade. Mesmo com a dificuldade motora, ela não deixou o interesse musical escapar. Seu gosto pela música clássica começou quando estava na quinta série e foi incentivada por um professor que percebeu seu ótimo desempenho em uma prova de música.

Hoje, a artista desenvolve uma técnica para tocar que consiste em colocar o instrumento a sua frente e preso ao pé. Seu estilo varia entre folk, country e música clássica. Além do envolvimento artístico, ela também é formada em ciência política. Para conhecer o trabalho dela, dê play no vídeo abaixo:

Como exemplo brasileiro, temos Le Batilli, de Porto Alegre no Rio Grande do Sul, que usa cadeira de rodas e se engajou na cena musical. Há cerca de cinco anos ele descobriu um linfoma intramedular e começou a perder os movimentos das pernas, mas como seu gosto e trabalho pela música já vinha desde a adolescência, ele não parou de projetar a carreira.

Este ano, Le Batilli lançou seu primeiro disco intitulado “Retalhos” e ainda foi selecionado para participar do Festival Rock Gaúcho no mês de setembro. Para conhecer esse artista, clique no vídeo abaixo:

Nunca é tarde para se inspirar e aprender a tocar um instrumento musical ou ter maior contato com a música de uma maneira diferente. Procure instituições de saúde ou projetos na sua cidade que ofereçam a Musicoterapia ou escolas que auxiliam quem possui dificuldade motora para tocar um instrumento.

A música testa habilidades e as fortifica, proporciona prazer e o descobrimento de si mesmo. Aproveita para compartilhar este conteúdo nas redes sociais para que outras pessoas também possam se inspirar!


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