História de Sucesso: Oldemar Barbosa

Oldemar Barbosa é de Toledo, no Paraná, e teve paralisia infantil com 11 meses. Apesar das limitações, sempre buscou a melhor adaptação para si e para o futuro. Com o apoio da família e muita força de vontade, alcançou os objetivos e seu lugar no mundo.

História de Oldemar

Em uma conversa informal, Oldemar nos contou um pouco da sua trajetória. As adaptações, os anseios, os planos e o amor fizeram e fazem parte da sua história de vida. A realidade à que foi imposto não fez com que parasse no tempo e deixasse de buscar sempre o melhor.

Aos 11 meses de idade, Oldemar foi diagnosticado com paralisia infantil e, desde então, começou a procura por adaptações e maior independência para o futuro. Inicialmente, os primeiros auxílios com tecnologia assistiva começaram com aparelhos ortopédicos. Mas com as atividades decorrentes da vida, a melhor escolha foi quando começou a usar cadeira de rodas para se locomover.

Paralisia Infantil é uma doença infecciosa grave e sem cura, que afeta os nervos e pode levar à paralisia parcial ou total em determinados músculos do corpo humano. A causa mais frequente é a contaminação dada pelo poliovírus, que pode ocorrer pelo contato oral-fecal, quando a criança não foi devidamente vacinada contra a poliomelite. Não há um tratamento específico para o problema, mas há a busca pela melhor recuperação e estagnação, e assim buscar a qualidade de vida do paciente.

Adaptações sempre fizeram parte da vida de Oldemar. Com a cadeira de rodas, foi preciso ainda mais. “Me adaptei bem, porque a cadeira de rodas te deixa mais livre para fazer muitas coisas. Enquanto que com o aparelho ortopédico, eu tinha limitações, tanto nas questões pessoais quanto ao sair e fazer as coisas por conta própria com independência. Foi mais fácil fazer com a cadeira de rodas”, conta Oldemar Barbosa.

O crescimento

Oldemar Barbosa fez parte da Associação Paranaense de Reabilitação – APR, uma entidade beneficente que atende crianças e adolescentes com deficiência físico motoras, além de outros diagnósticos. Foi lá que passou boa parte da adolescência. Ele começou a frequentar o local quando tinha dois anos de idade e só saiu quando completou 14 anos, após receber alta.

“Foi um aprendizado muito importante porque convivi com pessoas com deficiência que tinham as mesmas necessidades que eu, e outras até mais que as minhas. Isso fez com que o meu crescimento fosse de forma natural, sem nenhuma complicação, sem nenhuma pressão da sociedade”, relata Oldemar.

Após deixar a APR, Oldemar voltou para sua cidade natal e continuou os estudos no ensino regular. Nessa nova fase, teve que se adaptar ao mundo de fora da entidade, que era bem diferente da que ele havia crescido. “Lógico que quando eu fui para o ensino regular, começou toda uma trajetória diferente, com a realidade aqui de fora que é bem diferente da que eu estava acostumado numa educação fechada, com tudo o que eu necessitava a minha disposição. Mas foi muito bom, foi muito produtivo, me fez crescer bastante pessoalmente e na escola de forma profissional”, conta Oldemar.

Foi a partir dessa mudança, que o rapaz começou o uso da cadeira de rodas de forma intensa. O apoio da família nessa nova jornada foi fundamental. “Minha mãe que me levava na cadeira de rodas para escola e foi ai que iniciei o uso da cadeira de rodas mais intensamente. Para estudar numa escola que não é toda adaptada, eu tinha que me virar sozinho, com a ajuda dos professores, mas tinha que me virar. Depois mudamos de endereço para ficar mais perto da escola que iria continuar os estudos. Estudava a noite, com cadeira de rodas manual que meus pais me levavam”, relata Oldemar.

Oldemar Barbosa sempre quis mais. Ele teve planos e os realizou. Se formou em Ciências Econômicas na Universidade Estadual do Oeste do Paraná e é pós graduado na área de Planejamento e Desenvolvimento Urbano e Regional. Mas antes mesmo de concluir os estudos, na qual o fez no ano de 2000, ele já se engajava na carreira profissional.

A carreira

Aos 16 anos Oldemar já entrava no mercado de trabalho. Começou trabalhando em uma instituição filantrópica, Associação dos Deficientes Físicos de Toledo, na qual permaneceu por dois anos.

Em 1994 fez um concurso da Prefeitura Municipal de Toledo. Mas como a luta por adaptações e direitos estava longe de acabar, teve que entrar com uma ação para que se cumprisse a lei de cotas. Ele havia passado em 1º lugar, no cargo de assistente administrativo.

Após trabalhos nesse cargo por cinco anos, Oldemar começou as atividades em uma empresa pública de asfalto, onde permaneceu por um ano e dois meses. Essa, também, pela lei de cotas para pessoas com deficiência.

Já no ano de 1999, Oldemar prestou concurso para o Banco do Brasil, lugar onde vem desempenhando a atividade bancária desde então. Começou na agência de Toledo com atendimento, depois passando por diversos setores.

Até que recebe um convite para trabalhar em Brasília. Mesmo com a mudança de uma cidade a outra, a distância, a saudade da família, dos amigos e as diferenças de realidades, Oldemar aceita o desafio: era hora de crescer mais um pouco, tanto na questão profissional como pessoal. Após um novo processo seletivo, em 2008, ele vive na capital do Brasil e trabalha na Diretoria de Segurança Institucional do banco.

Com tantas atividades, você pensa que ele parou por aí? Nada disso! Oldemar Barbosa também se envolveu com o esporte.

ATACAR

Já pensou praticar handebol em cadeira de rodas, tornando a atividade num esporte adaptado? Oldemar Barbosa sim.

Em 2005 começaram as atividades da ATACAR, Associação Toledense dos Atletas em Cadeira de Rodas. “A ATACAR foi início de um sonho. Na época, em 2005, o professor da Universidade Paranaense, Ricardo Carminato, e o professor Décio Calegari, que já trabalhavam com o esporte adaptado no Paraná, fizeram o convite. Eu convidei um colega que também usa cadeira de rodas e mais outro amigo, a partir daí iniciamos fazendo uns treinos rápidos. Começamos o esporte de handebol em cadeira de rodas”, relata Oldemar.

Chamando um amigo daqui, dali, de lá, as atividades começaram a ser realizadas na Universidade Paranaense e ganhar cada vez mais força e praticantes. A partir daí, a ATACAR começou a criar vida. O objetivo era fortalecer o esporte adaptado no Paraná, na cidade de Toledo em especial e, depois, que se ampliasse pelo estado, pelo Brasil e pelo mundo.

O trabalho vem sendo realizado até hoje, fortalecendo o esporte adaptado e incentivando as pessoas com deficiência física que tudo, é sim possível. Para Oldemar, foi uma experiência de muita aprendizagem. “A ATACAR foi e é pra mim um exemplo de muita superação, que você aprende através do esporte. Que a superação é diária, que exige muito treino, muita dinâmica, muita participação ativa para que você consiga os resultados esperados, que a disciplina é necessária para que o resultado possa ser o esperado cada vez melhor”.

O jogo e o amor se encontraram. Para ele, a ATACAR significou muito mais que uma participação no esporte. Foi o começo de novos sentimentos. “Foi lá que conheci minha esposa, na época como amiga ainda jogando os treinos. Eu e ela temos uma classificação funcional de meio ponto, ou seja, temos mais limitação. E como treinávamos sempre juntos, a amizade foi fortalecendo e a gente foi ficando cada vez mais amigos”, relata Oldemar.

A união

Quem falou que a pessoa que tem sorte no jogo, tem azar no amor, estava muito enganado. Oldemar Barbosa conheceu Viviane Peres no projeto de handebol adaptado, ATACAR. Eles treinavam juntos e dali foi surgindo uma amizade cada vez maior, assim como ele conta. “Eu conheci Viviane dentro do projeto de handebol adaptado da Universidade Paranaense. Ela fazia fisioterapia na mesma universidade e a gente convidou ela para participar do projeto de handebol. A gente foi treinando junto, tanto eu como ela temos muita limitação dos membros superiores e inferiores. Fomos nos conhecendo, saindo, os outros amigos do esporte foram nos apresentando. A amizade foi se fortalecendo”.

Em 2009, quando Oldemar já vivia em Brasília, Viviane e mais duas amigas, também do esporte adaptado, foram conhecer a cidade. A partir daí, novas mudanças passaram a acontecer na vida do rapaz. “Apresentei a cidade e aqui a gente começou a se conhecer melhor e começou a ter um relacionamento mais sério. A gente ficou durante um ano e meio se relacionando pela internet, pela ponte aérea Toledo – Foz – Brasília. Foi muito importante, foi reaprender a viver”, conta Oldemar.

Mesmo com a distância, a paixão dos dois não se abalou. Em 2010, Oldemar e Viviane ficaram noivos e oficializaram a união. Como a trajetória de vida dele foi cheia de conquistas e atividades, o casamento não poderia ser nada comum. Eles fizeram uma bela e diferente dança dos noivos, rodeada pela família e amigos que deram o maior apoio ao casal. Confira no vídeo clicando aqui!

Hoje em dia

“Para me deslocar do trabalho, eu vou de cadeira de rodas motorizada Freedom”

A cadeira de rodas é como uma extensão do corpo. É através dela, que o usuário ganha maior autonomia e independência para o dia a dia. Com uma cadeira de rodas motorizada, isso se amplia ainda mais, visto que, gera uma grande praticidade e agilidade à pessoa com deficiência física. “Eu saio de casa, pego metro, desço na estação final e pego uma van que me leva até o Banco do Brasil, onde trabalho atualmente”, relata Oldemar, que também possui a cadeira de rodas motorizada Freedom.

Hoje em dia, Oldemar mora com a esposa Viviane em Águas Claras, em Brasília. Continua desempenhando suas atividades como profissional, fazendo parte da área bancária, só que agora com a rotina ainda mais agitada.

O casal teve uma filha. Oldemar vive rodando com sua cadeira de rodas motorizada para acompanhar a pequena.

Podemos definir Oldemar Barbosa como uma pessoa que lutou e continua lutando por melhores condições no seu dia a dia. Que teve sonhos, anseios, objetivos e conseguiu realizá-los. A limitação física nunca foi motivo para que ele parasse. Desde o início, batalhou e venceu os obstáculos que apareceram.


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