História de Sucesso: Luiza Rodrigues Rios

Luiza Rodrigues Rios nasceu prematura e, como sequela, teve deficiência física. Mesmo ainda pequena, com três anos de idade, ela já começava atividades para o fortalecimento muscular com sessões de hidroterapia, o que levou a se transformar em uma grande atleta paralímpica da natação, tornando-se primeira colocada no ranking nacional da categoria S2.

História de Luiza Rios

Luiza Rios é natural de Canguçu, no Rio Grande do Sul. Ela nasceu em 1994 e já nos primeiros segundos em que chegou ao mundo, teve que começar a lutar pela vida. Ela nasceu prematura, sofreu parada cardiorrespiratória de 13 minutos e, como decorrência da falta de oxigênio no cérebro, teve paralisia cerebral.

Mesmo com um início tão difícil, assim que recebeu alta já começou todos os procedimentos para reabilitação e para adaptar-se a sua realidade. Aos três anos teve o primeiro contato com a água e, depois disso, nunca mais se distanciou das piscinas. Conversamos com a mãe, Maribel Rios, e Luiza Rios, hoje paratleta nacional de natação, que toparam compartilhar essa história de vida inspiradora.

Paralisia cerebral se designa como um grupo de sintomas que dificultam o controle de postura e movimento, causada por uma anomalia ou lesão cerebral, muito comum em bebês prematuros. Os sintomas aparecem quando a criança começa a desenvolver habilidades motoras e se manifestam quando alguma parte do corpo apresenta perda de coordenação muscular.

Por conta da paralisia cerebral, Luiza tem comprometimento dos membros inferiores. Para melhorar essa condição, a partir dos três meses de idade já frequentava sessões de fisioterapia. “Na época, o médico sempre dizia que não sabia se ela passaria de mais uma noite. Mas fomos indo. Até que ela se recuperou e depois que saiu do hospital nunca mais teve problemas sérios. Foi apenas a questão de ir se adaptando a nova realidade, que foi quando ela parou de movimentar as pernas”, relata a mãe, Maribel Rios.

Quando completou três anos de idade, Luiza começou os tratamentos com a hidroterapia para adquirir fortalecimento muscular. Foi nesse momento, que a vida dela começou a mudar. “Aos três anos começamos a levá-la na APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais). Foi lá que começou toda a questão da socialização e da inclusão no meio escolar. Foi nessa instituição que começaram as sessões de hidroterapia e, ao final delas, o instrutor sempre a incentivava a nadar”, conta Maribel.

Aos seis anos, Luiza Rios já estava nanando constantemente. Por conta da distonia do braço esquerdo e da contratura muscular da perna direita, o único membro em pleno exercício é o braço direito, no qual lhe proporciona plena capacidade de praticar a natação. O que ela não imaginava, é que o prazer que a água lhe proporcionava, estava prestes a virar algo muito maior para sua vida.

Um convite para o pódio

Durante o crescimento, Luiza Rios continuou as práticas de hidroterapia e natação regularmente. Até que ela cresceu e chegou o momento de prestar o vestibular. Ela entrou para o curso de direito da Universidade Católica de Pelotas (UCPEL), cidade que passou a morar por conta dos estudos.

Mais uma vez ela precisou se adaptar a uma nova realidade e buscar uma qualidade de vida melhor. As sessões de hidroterapia não podiam parar e, por isso, passou a praticá-las num clube da localidade, com o fisioterapeuta Maurício Tavares. Como de costume, o incentivo para nadar ao final das aulas continuou sendo mantido.

De repente, era hora de levar a sério essa atividade física. João Paulo Rodrigues, mais conhecido como “JotaPê”, atual técnico de Luiza Rios, na época já a observava de longe, enquanto dava aulas de natação para crianças no clube. Até que ele a convidou para começar a treinar o esporte e, quem sabe, participar de competições no futuro.

Luiza topou a ideia e no ano de 2015 participou da sua primeira competição, levando o ouro para casa, nadando nos 50 m livres, com categoria S2, a segunda com maior nível de limitação físico-motora. A conquista da primeira medalha se tornou o gostinho de “quero mais”.


Luiza Rios e o técnico Jotapê

As conquistas

Depois de muito treino, dedicação e vontade, Luiza Rios participou da sua primeira competição, em março de 2015, em Curitiba, no Circuito Brasil Caixas Loterias. “Eu comecei a ter contato com o esporte porque eu já fazia hidroterapia em Canguçu, na primeira competição fui para ver como era”, relembra a jovem.

Nadando nos 50 m livres, a atleta ganhou em primeiro lugar. Depois disso, foram só vitórias. Durante aquele mesmo ano, ela ganhou a competição regional e as três fases do Campeonato Nacional, que aconteceu em São Paulo, ficando mais uma vez com o primeiro lugar na categoria S2. Desde 2015, ganhou todas as etapas dos 50 m livres.

Ao todo, a nadadora Luiza Rios já possui 15 medalhas na bagagem. Na última competição que participou, em 2017, também teve vitória. “A última competição foi dia 27 de outubro, eu nadei com atletas da categoria S3 e peguei a medalha de bronze. A classificação nas competições de paratletas vão de 1 a 10, quanto menor o número, mais dificuldade de nadar”, explica Luiza Rios.

Luiza nada com apenas um dos braços, mas isso é apenas um detalhe em tanto talento. E isso se justifica quando entramos no site do Comitê Paralímpico Brasileiro e encontramos seu nome em primeiro lugar no ranking da categoria S2 de natação.

Nem tudo são flores

A jovem mantém uma rotina baseada no esporte e nos estudos. A noite no curso de direito e de dia, por volta de duas a três vezes na semana, pratica o esporte. Nessa rotina, algumas dificuldades surgem no caminho.

Luzia possui o Bolsa Atleta desde 2016, que cobre as despesas para manter a rotina dos treinamentos, assim como a alimentação, tratamentos e transporte até o local que mantém a rotina da natação e, dessa forma, poder aumentar seu nível como atleta. “Minha meta é participar de competições internacionais, para isso preciso fazer a classificação internacional”, conta a nadadora.

Para conseguir atingir a classificação internacional, Luiza Rios precisa de patrocínios, o que, atualmente, ainda não possui. “Podiam apoiar justamente o atleta nesse sentido, antes dele ficar famoso. Depois de reconhecido, é fácil conseguir patrocínio. Antes disso, tem que ralar por conta própria e isso desanima a maioria das pessoas”, relata a mãe.

Atualmente, Luzia Rios representa o Clube Brilhante, da cidade de Pelotas, local que pratica os treinos de natação. Mesmo com alguns empecilhos, a jovem segue sua rotina e com foco no esporte, que, pelo jeito, vai seguir por muito tempo. “O calendário do próximo ano ainda não saiu, mas acredito que seja em março de 2018”, conta Luiza, já se preparando para mais um ano de competições.

Um futuro de conquistas

“Meu objetivo é o Tóquio 2020”

Luzia Rios fica na cidade Pelotas de segunda a sexta, para manter a rotina de estudos e da natação. Aos finais de semana, volta para cidade onde nasceu, Canguçu, para ficar com a família. Enquanto está longe, conta com uma ajudante na rotina do dia a dia. Em breve, estará oficialmente formada, no final de 2017, pois conclui o curso de direito.

Nessa rotina agitada, os pais, orgulhosos, dão total apoio, de longe e de perto, quando a acompanham nas competições. “Ela sempre gostou muito da água, porque é ali o lugar que ela fica livre e não precisa de ninguém para ajudá-la”, conta a mãe, Maribel.

O esporte pode mudar vidas e ser uma ótima alternativa para ter mais qualidade de vida. “A saúde dela melhorou muito depois que começou a nadar. Além da autoestima, por conviver com outras pessoas nas competições, que também teem alguma deficiência, pois enxerga que a condição não é só dela”, relata Maribel.

Luiza tem metas e objetivos. É sonhadora. A cada braçada nas águas, está mais perto de chegar à desejada Olimpíada de Tóquio, em 2020. Com um sorriso no rosto, ela segue em frente e, mesmo tão jovem, já nos deixa como exemplo que, independente das circunstâncias, é possível superar as barreiras e conquistar nossos sonhos.


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