A importância de banheiros adaptados para pessoas com deficiência

Proporcionar acessibilidade e infraestrutura adequada para pessoas com deficiência é fundamental para garantir qualidade de vida e autonomia a elas. Cada vez mais, os profissionais de arquitetura desenvolvem soluções que facilitam a usabilidade de todos os ambientes. Entre as transformações necessárias, destacamos a importância dos banheiros adaptados.

Esse olhar para as necessidades de todos já é uma realidade em espaços e eventos públicos, que já são instruídos, por leis recentes, a oferecerem recursos para o conforto e a segurança de pessoas com deficiência.

Os avanços jurídicos, tecnológicos e arquitetônicos são notáveis, o que é uma ótima notícia. Com diversas opções e ampliação da prática de se ter espaços adaptados, é também essencial estar atento a cuidados e procedimentos necessários para uma boa obra.

Quem rege essas orientações é a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), com o intuito de padronizar a estrutura e assegurar a qualidade. Diante disso, selecionamos dicas e os principais pontos aos quais você deve estar atento na hora de reformar ou construir um banheiro adaptado para pessoas com deficiência. Veja só!

Escolha um piso antiderrapante e antideslizante

Usuários de cadeiras de rodas, bengalas, andadores e idosos, de modo geral, correm mais riscos de acidentes em pisos lisos demais ou escorregadios. Para evitar isso e facilitar a locomoção no banheiro, os pisos devem seguir algumas características. São elas:

  • Ser antiderrapante e/ou antideslizante;
  • Não ter desníveis junto à entrada ou soleira;
  • Ter grelhas e ralos posicionados fora das áreas de manobra e de transferência;
  • Os materiais de revestimento e acabamento devem ter superfície regular, firme, estável, não trepidante para dispositivos com rodas, além de ser antiderrapante e/ou antideslizante, sob qualquer condição seca ou molhada.

Hoje em dia, é possível encontrar pisos com essas características em diversas cores, texturas, tamanhos e materiais, que ajudam a evitar escorregões. Além de ser para todos os bolsos. Você pode escolher entre um porcelanato mais “áspero”, cerâmicas diversas e pastilhas para banheiros, por exemplo.

Vale lembrar que, quanto mais plano for o chão, mais facilidade é oferecida à pessoa com deficiência. Caso haja desníveis no banheiro, e não seja possível eliminá-los, faça ajustes para que se tornem pequenas rampas. Assim, não há riscos da cadeira de rodas emperrar ou até mesmo estragar.

Lembrando, que é importante conferir a norma 9050 da ABNT para entender melhor qual a escolha mais adequada de piso você deve fazer.

E os tapetes?

Já que estamos tratando do piso, é bom dar atenção também aos tapetes. Mesmo com um revestimento mais seguro, eles não são uma boa pedida para a residência das pessoas com mobilidade reduzida e usuários de cadeira de rodas. Eles podem causar escorregões, ficar presos nas rodas, atrapalhar a passagem e virar “armadilhas” para tropeços. Se possível, elimine os tapetes do projeto visual da casa.

Fique atento à largura das portas

Esse é um fator extremamente importante. A abertura das portas precisa ser suficiente para que a cadeira de rodas passe com alguma folga de espaço. Tanto para o conforto e a segurança do usuário, quanto para a conservação do equipamento e da porta.

O ideal, recomendado pela ABNT, é que a largura das portas seja de, no mínimo, 90 cm. Você pode também medir a cadeira e, caso necessário, ampliar ainda mais a abertura da porta.

Atenção: as medidas das cadeiras de rodas variam de largura interna (espaço do assento), para largura externa (cadeira de rodas como um todo). Por isso, é preciso estar atento de que, para cada tamanho de largura interna, varia-se sua dimensão externa, ou seja, é preciso levar em conta essas questões de medidas na hora de adaptar a largura da porta, para que o equipamento passe com tranquilidade.

Esse é um dos pontos indispensáveis, então, se não for possível realizar todas as reformas, priorize as portas e as barras de apoio, sobre as quais falaremos a seguir.

Todas as portas da casa devem seguir esse padrão, inclusive a do box. Aliás, se for possível retirá-lo, melhor ainda, caso não seja, use a largura recomendada. Além disso, se for utilizado um elevador individual para transferência da pessoa com deficiência física, um box com desnível pode atrapalhar o deslocamento.

Além disso, para não comprometer a abertura das portas, não coloque cestos, armários e demais objetos atrás nem ao lado delas. Deixe o espaço livre para não prejudicar a circulação da cadeira de rodas.

Instale barras de apoio

As barras de apoio são também indispensáveis. É por meio delas que as pessoas com deficiência terão sustentação para usar o box, a pia e sobretudo o vaso sanitário. Elas devem estar por todo o banheiro, como um caminho mesmo, para toda a locomoção.

Mas lembre-se também, de deixar espaços abertos para a passagem da cadeira de rodas. É indicado que se tenha em torno de 1,5 metro livre para o giro da cadeira.

Outro fator importante em relação às barras é a qualidade do material e da instalação. Conte com profissionais sérios e que deixarão as barras bem presas, sem possibilidades de se soltarem.

Acerca do material, a ABNT determina que devem ser totalmente de aço inox, para evitar a corrosão. Garanta que até os parafusos sejam desse material para evitar acidentes por conta de possíveis defeitos.

As barras devem ser colocadas principalmente para uso do vaso sanitário, do chuveiro e da pia. Para determinar larguras e extensões adequadas, é preciso considerar a área do banheiro. Como alguns aspectos importantes a considerar, podemos citar:

  • Estar fixada a uma distância mínima de 40 mm entre sua base de suporte (parede/painel, etc), até a face interna da barra;
  • Suas extremidades devem estar fixadas nas paredes ou ter desenvolvimento contínuo até o ponto de fixação com formato recurvado;
  • As barra podem ser fixas (nos formatos reta, em “U” ou em “L”), ou articuladas;
  • Quando necessários, os suportes intermediários de fixação devem estar sob a área de empunhadura, garantindo a continuidade de deslocamento das mãos. O comprimento e a altura de fixação são determinados em função de sua utilização;
  • As dimensões mínimas das barras devem respeitar as aplicações com seção transversal entre 30 mm e 45 mm.

O comprimento e o modelo das barras variam de acordo com as peças sanitárias. Consulte a norma 9050 da ABNT e as NBR 10283 e 11003 para ter acesso às orientações mais detalhadas sobre esses aspectos.

Assim como a largura das portas, a instalação das barras é de grande importância, portanto coloque também essa medida como prioridade para a adaptação do banheiro.

Troque trincos e maçanetas

Os trincos e as maçanetas da porta, do box e das janelas devem ser de fácil manuseio. Ainda mais se a pessoa com deficiência tiver também os movimentos dos membros superiores comprometidos.

O ideal é que sejam em forma de alavanca e não requeiram muitos movimentos para funcionar.

Respeite as medidas de altura

Toda a instalação dos equipamentos, tomadas, acessórios e do mobiliário deve levar em conta a altura de uma pessoa sentada. O projeto, como um todo, tem de ser desenvolvido com o olhar do usuário do espaço. Respeitando as condições físicas e otimizando o uso de toda a estrutura.

Mesmo com equipamentos mais modernos, como elevadores, o melhor é que você já considere a altura da pessoa no uso da cadeira. Assim, as medidas de altura recomendadas (tendo como referencial o chão) são:

  • vaso sanitário: 46 cm;
  • pia/bancada: 80 cm (recomenda-se também um espaço livre abaixo da bancada, para o encaixe da cadeira, com, no mínimo, 70 cm de altura);
  • espelho: borda inferior a 90 cm.

Fique atento também à instalação das torneiras, da descarga, das tomadas e do porta papel higiênico, que devem estar ao alcance do usuário.

Sendo assim, é indicado que as torneiras sejam do tipo pressão, e os misturadores monocomando, tanto na pia como no chuveiro; a altura máxima da válvula de descarga deve ser de 1,00 m e seu acionamento deve ser, se possível, por sensor eletrônico de movimento; acessórios como porta-objetos, cabides, espelhos, saboneteiras e toalheiros, devem estar na faixa de alcance acessível de 1,20 m; o porta papel higiênico deve ficar a 55 cm do piso.

Caso queira ampliar ainda mais a segurança, é possível fazer o uso do dispositivo de sinalização de emergência, colocando-os a 40 cm do piso e isolados perto do vaso sanitário, do lavatório, da porta de acesso, do box e da banheira. Esse tipo de adaptação é importante em caso de alerta para quedas.

Os banheiros são, geralmente, os locais que apresentam mais transtornos e riscos para as pessoas com deficiência. Por isso, a construção de banheiros adaptados é imprescindível.

Além do mais, preserva a intimidade e a independência dessas pessoas, além, é claro, do conforto. Afinal, quem não quer ter um ambiente aconchegante e coerente com suas necessidades?

Inicialmente, pode parecer difícil ou oneroso, mas, com essas dicas, você viu que não é bem assim e que um banheiro adequado para todos pode fazer parte de qualquer ambiente.

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1 comentário sobre “A importância de banheiros adaptados para pessoas com deficiência”

  1. Assunto importantíssimo sendo tratado. Não há nada mais constrangedor que do ver que a pessoa não conseguiu utilizar um espaço com autonomia e segurança.

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